Migrantes morrem de sede em deserto do Saara

Ao menos 49 pessoas morreram de sede no deserto do Saara, no norte do Níger, depois que o caminhão em que viajavam sofreu uma pane mecânica e ficou imobilizado em uma região isolada próxima às fronteiras com Mali e Argélia. O caso foi divulgado pelas autoridades locais nesta quinta-feira, 4.

As vítimas retornavam de celebrações do Eid al-Adha, uma das principais festas do calendário islâmico, realizadas no Mali. O veículo que as transportava quebrou mais de 80 quilômetros a oeste da cidade de Assamaka, em uma área remota do Saara onde as temperaturas ultrapassam 45°C.

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Saara: uma das áreas mais hostis do planeta

Segundo o governo da região de Agadez, o motorista, seus auxiliares e os passageiros tentaram por vários dias consertar o caminhão. Sem sucesso e sem acesso a água ou pontos de abastecimento, o grupo acabou preso em uma das áreas mais hostis do planeta.

Equipes de resgate encontraram dezenas de corpos sob e ao redor do veículo. As 49 vítimas foram enterradas em valas comuns no próprio local da tragédia. Apenas duas pessoas sobreviveram. Elas caminharam mais de 50 quilômetros pelo deserto até encontrar uma fonte de água. Depois, conseguiram chegar a Assamaka para alertar as autoridades sobre o ocorrido.

Leia também: “A crueldade do Estado woke”, reportagem publicada na Edição 325 da Revista Oeste

Durante a operação, os socorristas localizaram ainda um segundo caminhão quebrado, com mais de 60 pessoas retidas havia três dias. Nesse caso, os ocupantes foram resgatados com vida e receberam água e assistência antes de seguir viagem.

A região de Agadez é considerada uma das rotas mais perigosas da África. Além de servir como corredor migratório rumo ao norte do continente, é frequentemente utilizada por trabalhadores que atravessam o deserto em busca de oportunidades em áreas de mineração.

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