O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia uma proposta de ampliação do teto de faturamento dos Microempreendedores Individuais (MEIs), que passaria dos atuais R$ 81 mil para R$ 140 mil anuais.
A medida impactaria cerca de 13 milhões de brasileiros e é interpretada como parte de uma estratégia eleitoral voltada para as eleições de outubro.
Segundo apuração da analista de Política da CNN Larissa Rodrigues ao CNN 360°, o Palácio do Planalto considera prioritária a aprovação do aumento do teto do MEI na Câmara dos Deputados.
O objetivo seria permitir que mais trabalhadores sejam enquadrados na categoria e, assim, não precisem recolher impostos pelo regime do Simples Nacional.
Pacote de medidas focado nos pequenos empreendedores
Os anúncios foram concentrados especialmente em uma sexta-feira considerada o último dia garantido pela Justiça Eleitoral para que o governo atual divulgue suas realizações. A partir da semana seguinte, essa possibilidade estaria vedada tanto para o governo federal quanto para governadores que buscam reeleição.
Além da proposta de ampliação do teto do MEI, foram disponibilizadas linhas de crédito para renegociação de dívidas, incluindo a possibilidade de substituição de empréstimos com juros mais altos por outros com taxas menores, mesmo para trabalhadores que não estejam inadimplentes.
Estratégia eleitoral mira eleitor informal
De acordo com Larissa Rodrigues, o entendimento dentro do Palácio do Planalto é que o segmento dos pequenos empreendedores e trabalhadores informais representa uma fatia do eleitorado com potencial de mudança de intenção de voto.
“Esses pequenos empreendedores, se tiverem de fato um entendimento que a vida pode ter melhorado, ou algum projeto que foi bancado pelo atual governo, poderiam sim votar no presidente Lula”, destacou a analista.
O governo já considera como dado o voto dos antipetistas declarados, concentrando esforços justamente naqueles eleitores que ainda não teriam definido sua escolha.
A movimentação foi articulada principalmente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) e pelo ministério responsável pelo microempreendedor.
Segundo a analista, o perfil desse segmento de trabalhadores mudou ao longo dos anos, com uma inclinação maior para o liberalismo econômico e menor identificação com o movimento sindical tradicional, o que tornaria o aceno via políticas econômicas concretas uma estratégia mais eficaz para conquistar esse eleitorado.

