Jornalista sequestrada no México é encontrada morta; policiais suspeitos são presos

Uma jornalista mexicana que havia sido sequestrada por homens armados em 2 de junho foi encontrada morta, informaram autoridades locais nesta sexta-feira (3). O caso reacendeu os alertas sobre a violência contra a imprensa no país, um dos mais letais para a profissão no mundo.

O sequestro de Roxana Guzmán em sua casa foi registrado em um vídeo que circulou amplamente nas redes sociais. Seus restos mortais foram encontrados dias atrás em um imóvel e identificados pela Procuradoria do Estado de Veracruz, que confirmou a morte em comunicado oficial.

Oito pessoas foram presas pelo homicídio, incluindo quatro homens que atuavam como policiais municipais na época do crime. Segundo a Procuradoria, os agentes “forneciam recursos, comida e apoio logístico ao grupo criminoso” responsável pelo sequestro. As investigações também apontam o envolvimento de integrantes de uma organização criminosa que atua no sul do estado de Veracruz.

Guzmán era fundadora e diretora do portal Pulso Informativo del Sureste, veículo digital sediado em Nanchital, município de cerca de 30 mil habitantes no estado de Veracruz. A página, hospedada no Facebook, publicava notícias locais, denúncias da comunidade e cobria temas como segurança pública e política municipal.

Ela foi sequestrada na manhã de 2 de junho, quando homens armados invadiram sua residência e a levaram, tendo a família dela como testemunha. Imagens gravadas pelo celular de um familiar mostram os criminosos arrombando a porta com ferramentas pesadas e apontando armas para os moradores. O vídeo ajudou a dar repercussão nacional ao caso e permitiu a identificação de parte dos envolvidos.

Logo após o desaparecimento, organizações de defesa da liberdade de imprensa cobraram uma resposta imediata das autoridades.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas pediu uma investigação rápida para esclarecer a motivação do crime e ressaltou que deveria ser considerada a possibilidade de relação com a atividade profissional de Guzmán. A organização destacou que a jornalista era conhecida por seu trabalho de cobertura de assuntos locais e denúncias na região.

Veracruz, no leste do país, é considerado um dos estados mais perigosos do México para o exercício do jornalismo. Outros dois jornalistas já haviam sido assassinados na região neste ano, e entidades de defesa da imprensa denunciam um histórico de impunidade em crimes contra comunicadores.

O México permanece entre os países mais letais do mundo para a profissão. Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, mais de 150 profissionais da imprensa foram assassinados ali desde 1994, em um cenário marcado pela atuação do crime organizado, corrupção e ataques recorrentes à liberdade de imprensa.

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