União Europeia libera R$ 16,5 bilhões em ajuda à Ucrânia

A União Europeia anunciou nesta segunda-feira (8) a liberação de € 2,8 bilhões (R$ 16,5 bilhões) em ajuda à Ucrânia. O anúncio ocorreu num momento em que Kiev afirma ter recuperado mais de 600 quilômetros quadrados de território desde o começo de 2026, sinalizando uma mudança no campo de batalha após anos de avanços das forças da Rússia.

Segundo a Comissão Europeia, o desembolso faz parte do esforço para sustentar a economia ucraniana e apoiar reformas consideradas fundamentais para a futura integração do país ao bloco europeu.

A comissária europeia responsável por coordenar as adesões ao bloco, Marta Kos, disse que a velocidade e o comprometimento demonstrados por Kiev na implementação de reformas justificaram o pagamento. “Estamos também abrindo caminho para novos avanços nas negociações de adesão”, afirmou ela.

O valor liberado nesta segunda faz parte de um fundo criado em 2024 com mais de € 50 bilhões em recursos para a Ucrânia. O desembolso de € 2,8 bilhões corresponde à sétima parcela desse mecanismo e está vinculado ao cumprimento de reformas pelo governo ucraniano.

Em abril, a UE aprovou um pacote separado, mais amplo, que prevê empréstimo de € 90 bilhões (cerca de R$ 523 bilhões) a Kiev para cobrir necessidades orçamentárias e militares. O avanço ocorreu após a Hungria ter retirado seu veto pouco depois de Viktor Orbán, aliado da Rússia, ter perdido as eleições para seu rival pró-Europa, Péter Magyar, que prometeu recompor os laços com o bloco de Bruxelas.

No front, o comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Sirskii, disse que as tropas ucranianas retomaram mais de 600 quilômetros quadrados de território ao longo deste ano.

Segundo ele, somente em maio as forças de Kiev recuperaram cerca de 100 quilômetros quadrados a mais do que perderam para os russos. Sirskii não especificou onde ocorreram os avanços, limitando-se a dizer que, em determinados setores da linha de frente, os ucranianos continuam mantendo a iniciativa.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, já havia mencionado no mês passado que o país havia reconquistado cerca de 600 quilômetros quadrados em 2026.

As informações, entretanto, não puderam ser verificadas de forma independente. A confirmação de mudanças territoriais é difícil devido ao uso intenso de drones por ambos os lados, que transformou áreas próximas à linha de combate em zonas inacessíveis.

Ainda assim, grupos independentes que monitoram a guerra também vêm registrando uma desaceleração e até uma reversão dos avanços russos. Caso a tendência se confirme, seria a primeira mudança significativa desde o fracasso de uma alardeada contraofensiva ucraniana em 2023.

Apesar dos relatos de avanços ucranianos, Sirskii descreveu a situação no front como “difícil e dinâmica”. Segundo ele, as forças russas continuam tentando avançar no leste e no sul do país, enquanto o número de confrontos diários aumentou.

Um dos principais focos dos combates é a região de Pokrovsk, cidade estratégica no leste da Ucrânia que a Rússia tenta conquistar desde meados de 2024. O comandante ainda mencionou confrontos intensos nas áreas de Oleksandrivka e Huliaipole, no sudeste do país.

Também nesta segunda, um ataque com drones atribuído à Rússia na cidade de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, matou duas pessoas e feriu outras 15, segundo o governador regional, Ivan Fedorov.

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