O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, endureceu o discurso neste domingo, 17, para blindar a autonomia da ilha contra as investidas de Pequim. Em comunicado oficial, o governante declarou que o território jamais vai ceder a intimidações externas ou abrir mão de suas garantias democráticas. O recado ocorre em um momento de alta tensão militar e diplomática no continente asiático.
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Lai Ching-te afirmou que o modo de vida livre dos cidadãos taiwaneses é inegociável. Ele garantiu que o governo local trabalha para manter a estabilidade regional, mas avisou que a busca pela paz não significa submissão ao regime comunista. “Taiwan não vai provocar nem ampliar conflitos, mas também não abrirá mão de sua soberania e dignidade nacionais”, disparou o líder da ilha.
China como a raiz da instabilidade
O mandatário taiwanês apontou o governo de Pequim como o único responsável pelas ameaças de guerra no Estreito de Taiwan. No documento divulgado pela Presidência, Lai Ching-te classificou a China como “a causa raiz” do enfraquecimento da segurança na região e acusou os vizinhos de tentarem mudar o mapa geopolítico por meio da força e do cerco marítimo.
Para garantir a sobrevivência de suas instituições, o governo de Taiwan defende o fortalecimento de sua capacidade de autodefesa. O país utiliza compras bilionárias de mísseis, drones e softwares de artilharia como um escudo de proteção. Segundo as lideranças locais, a modernização do Exército serve para dissuadir o Partido Comunista Chinês de tentar uma invasão armada.
Separação histórica e multipartidarismo
A posição firme de Taiwan se apoia em uma trajetória de independência prática que dura mais de sete décadas. A China e a ilha são governadas de forma totalmente separada desde 1949, quando o Partido Comunista tomou o poder em Pequim depois de uma guerra civil. Na ocasião, as forças remanescentes do Partido Nacionalista se refugiaram no território insular.
Ao longo do tempo, Taiwan deixou para trás o período de lei marcial e construiu uma das democracias multipartidárias mais sólidas e abertas da Ásia. O regime de Pequim, contudo, desconsidera essa realidade e trata a ilha como uma província rebelde que deve ser anexada ao continente, ameaçando o uso de tropas caso os taiwaneses declarem a independência formal.
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