As revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro reacenderam no Congresso Nacional a pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o escândalo do Banco Master. O tema, que já vinha mobilizando setores da oposição, passou a ganhar apoio mais amplo e hoje reúne diferentes interesses de parlamentares da oposição, do Centrão e até de alas governistas, embora cada grupo defenda objetivos e formatos distintos para a investigação.
Atualmente, três pedidos principais aguardam avanço formal no Legislativo. Apesar de terem alcançado o número necessário de assinaturas, os requerimentos seguem pendentes de leitura em plenário e despacho das presidências das Casas, comandadas por Davi Alcolumbre e Hugo Motta.
Na Câmara, tramita o Requerimento de Instituição de CPI, RCP 1/2026, apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg. Ele tem foco em suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades nas operações entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). O pedido mira especialmente operações de crédito, aportes de fundos de previdência e a relação institucional entre as duas instituições financeiras.
No Senado, o pedido é liderado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), com apoio do senador Eduardo Girão (Novo-CE). A proposta pretende investigar denúncias de fraudes em fundos de pensão, aquisições de carteiras de crédito e operações estruturadas atribuídas ao banco.
Além disso, lideranças da oposição articulam uma CPMI envolvendo deputados e senadores. A iniciativa tem sido conduzida pelo deputado Carlos Jordy e parlamentares conservadores do Senado, sob o argumento de que uma comissão mista teria maior peso político e mais alcance institucional.
Governistas defendem investigação “técnica”
Entre parlamentares alinhados ao governo, há resistência ao modelo de investigação proposto pela oposição. A avaliação de integrantes da base é que uma CPI pode rapidamente se transformar em instrumento de desgaste político às vésperas do calendário eleitoral.
Em uma coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (13), governistas defenderam que qualquer apuração deve ter foco estritamente técnico, concentrada em possíveis irregularidades do sistema financeiro, sem direcionamento político. Parlamentares ligados à esquerda também articulam um novo desenho para a investigação na Câmara.
As deputadas Heloísa Helena e Fernanda Melchionna trabalham em uma proposta de CPMI mais voltada para operações bancárias, fundos de previdência e mecanismos de fiscalização financeira, buscando reduzir o protagonismo político da comissão.
A avaliação dentro do governo é que o caso pode atingir diferentes setores do mercado financeiro e criar um ambiente de instabilidade política e econômica se a investigação avançar sem controle.
Centrão monitora desgaste e cobra esclarecimentos
No Centrão, a postura tem sido mais pragmática. Parlamentares do bloco avaliam que o avanço das revelações aumentou o custo político de manter os pedidos parados no Congresso.
Embora ainda não exista consenso sobre qual modelo deve prosperar — CPI na Câmara, CPI no Senado ou CPMI — integrantes do grupo passaram a defender publicamente maior transparência sobre as operações do banco, especialmente na relação com fundos de previdência e contratos envolvendo instituições públicas.
Algumas lideranças do Centrão admitem que uma investigação pode se tornar inevitável caso o tema continue dominando o debate político e gerando desgaste para o Congresso.
A avaliação é que uma CPMI teria mais chances de avançar em eventual acordo entre Câmara e Senado, justamente por dividir o protagonismo político entre as duas Casas.
Oposição intensifica pressão e cobra instalação imediata
A oposição, por sua vez, aproveitou a repercussão do caso envolvendo Flávio Bolsonaro para ampliar a pressão sobre as presidências da Câmara e do Senado.
Nesta quinta-feira (14), o senador Alessandro Vieira voltou a cobrar publicamente o andamento do pedido apresentado no Senado e criticou a demora do Supremo Tribunal Federal (STF) em analisar o mandado de segurança protocolado para garantir a instalação da comissão.
“Segue sem despacho o mandado de segurança que pede a instalação da CPI do Master no Senado. O ministro Kassio Nunes Marques não se manifestou, embora a jurisprudência do próprio Supremo há mais de duas décadas seja firme no sentido da instalação, preenchidos os requisitos constitucionais. O Brasil segue esperando”, afirmou.
Aliados de Flávio Bolsonaro também saíram em defesa do senador e reforçaram o discurso favorável à criação da CPMI.
O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) afirmou que parlamentares governistas estariam atuando para impedir o avanço da investigação.
“Precisamos pressionar os parlamentares do governo que querem impedir a CPMI do Master. As relações obscuras do Master precisam ser investigadas”, declarou.
Valadares também minimizou o episódio envolvendo a busca de patrocínio privado para produção audiovisual ligada à família Bolsonaro.
“Eu não vejo problema em pedir para um banco privado patrocinar um filme. O Itaú faz isso, o Bradesco faz isso, o Santander e muitos outros”, afirmou.
Na mesma linha, o deputado Coronel Tadeu (PRD-SP) afirmou que a direita seguirá unida na defesa da instalação da comissão.
“A tentativa da esquerda de transformar esse episódio em ataque político faz parte de uma estratégia para conter o crescimento de Flávio Bolsonaro, mas não irá prosperar. A direita segue unida em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro e cada vez mais fortalecida na defesa da instalação urgente da CPI do Banco Master”, disse.
As propostas de investigação têm três eixos principais: possíveis irregularidades envolvendo fundos de previdência municipais e estaduais, operações financeiras entre o Banco Master e o BRB e a conformidade das operações de alavancagem do banco com as regras do Banco Central. Enquanto o impasse político permanece, cresce no Congresso a avaliação de que a pressão pela instalação de alguma das comissões dificilmente perderá força nas próximas semanas.

