O presidente norte-americano, Donald Trump, encerrou sua visita de dois dias à China com uma vitória geopolítica para os Estados Unidos. A viagem terminou nesta sexta-feira, 15, quando o mandatário embarcou no Air Force One no Aeroporto Internacional de Pequim.
O conflito no Oriente Médio ocupou espaço central nas reuniões de trabalho na capital chinesa. Os dois presidentes fecharam consenso sobre o programa nuclear do Irã e cravaram que o país persa não pode desenvolver armamentos atômicos. Trump também ouviu de Xi Jinping a promessa de que a China não enviará equipamentos militares para o governo iraniano.
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O fluxo de combustíveis pelo Estreito de Ormuz foi outro tema pacificado entre as potências. Xi Jinping se comprometeu a ajudar na manutenção do tráfego livre na região e demonstrou interesse em ampliar a compra de petróleo dos Estados Unidos. O movimento marca uma mudança importante, já que a China havia interrompido a importação do óleo norte-americano em maio de 2025, devido a uma sobretaxa de 20%. Atualmente, o mercado chinês absorve mais de 90% das exportações de óleo do Irã.
Ofensiva comercial e investimentos
Logo depois de alinharem as questões geopolíticas, os líderes debateram temas econômicos, com destaque para a fabricante norte-americana Boeing. O líder chinês concordou em comprar 200 aeronaves da empresa. Trump revelou o negócio em entrevista à Fox News e destacou que o volume superou as expectativas iniciais. “A Boeing queria 150, levou 200”, afirmou o presidente, que projeta a criação de milhares de empregos em solo norte-americano com a encomenda.
Trump viajou acompanhado por uma comitiva de grandes empresários dos Estados Unidos e garantiu que Pequim vai injetar quantias massivas no mercado norte-americano. O presidente dos EUA estava acompanhado de nomes como Elon Musk e Tim Cook. “A China vai investir centenas de bilhões de dólares com as pessoas que estavam naquela sala”, declarou o mandatário. Ele revelou ter colocado os executivos na mesa de conversas com Xi Jinping mesmo sem uma previsão inicial na agenda.
Por outro lado, o governo chinês usou o encontro para alertar sobre os perigos de disputas tarifárias. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, relatou o posicionamento do líder asiático. “O presidente Xi reforçou ao presidente Trump que a história cansa de mostrar que guerras comerciais não têm vencedores”, informou a porta-voz. Pequim disse que conversas em pé de igualdade servem como único caminho para resolver atritos econômicos.
Bastidores, Taiwan e convite
Antes da partida, os dois chefes de Estado dividiram um almoço de luxo que incluiu sopa de bacalhau, bolinhos de lagosta fritos, filé de carne com cogumelos e frango kung pao. Na saída, o norte-americano classificou o período em solo chinês como “incrível” e celebrou os resultados econômicos alcançados.
Os bastidores em Pequim registraram momentos de estranhamento entre as equipes de segurança. Oficiais chineses barraram um agente armado do Serviço Secreto dos Estados Unidos na entrada de um evento no Templo do Céu. O desentendimento causou um impasse tenso que atrasou o início da agenda em mais de meia hora. Jornalistas internacionais também relataram forte cerceamento e dificuldades para acompanhar os deslocamentos dos presidentes.
Sobre a disputa por Taiwan, a Casa Branca omitiu o tema em seu resumo oficial publicado na rede social X. A China, contudo, fez questão de detalhar sua posição em seus informes públicos. Xi Jinping avisou ao republicano que a questão da ilha é o ponto mais sensível da relação bilateral e que qualquer erro na condução do assunto pode causar choques. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, minimizou o atrito e declarou que a política dos Estados Unidos para a região segue inalterada.
Ao fim dos compromissos, Trump estendeu um convite oficial para que Xi Jinping e a primeira-dama Peng Liyuan visitem a Casa Branca em 24 de setembro. O líder chinês não realiza uma visita oficial à sede do governo norte-americano desde setembro de 2015. Trump elogiou o estilo firme do colega asiático, comparando a imponência física e a postura de Xi a uma estrela do “elenco central de Hollywood”.
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