
O papa Francisco autorizou nesta sexta-feira (5) a canonização do papa João Paulo II, dois dias após a aprovação do segundo milagre atribuído a ele por bispos e cardeais. O pontífice também abriu caminho para que João XXIII se torne santo.
João Paulo II foi considerado o responsável pela cura da freira francesa Marie Simon-Pierre, que tinha mal de Parkinson, o que levou à sua beatificação. Na quarta, os bispos e cardeais do Vaticano aprovaram seu segundo milagre, a cura do câncer de uma mulher da Costa Rica.
Segundo a Santa Sé, a cura da mulher aconteceu após ela rezar pedindo ao pontífice por sua recuperação no dia em que ele foi beatificado, 1º de maio de 2011. O primeiro aval foi dado em 18 de junho, após a avaliação de laudo médico. No caso de João XXIII, a canonização ocorreu por desejo de Francisco.
O Vaticano explicou que, mesmo sem ter um segundo milagre aprovado, o papa pode deliberar por tornar santa alguma figura. Responsável pelo Concílio Vaticano II, o principal documento eclesiástico do século 20, João XXIII foi beatificado em 2000. A canonização dos dois pontífices deverá ser feita provavelmente em 8 de dezembro, dia de Imaculada Conceição.
A data será definida após um consistório de cardeais, que estabelecerá as datas em que os novos santos serão celebrados. João Paulo II comandou a Igreja Católica entre 16 de outubro de 1978 e 2 de abril de 2005 e foi beatificado em maio de 2011 pelo papa Bento XVI. Já João XXIII foi líder dos católicos entre 28 de outubro de 1958 e 3 de junho de 1963.
Primeira encíclica do novo papado
O papa Francisco também divulgou sua primeira encíclica, com uma mensagem sobre a importância da fé cristã, mostrando que ele não pretende romper radicalmente com a posição doutrinária de seu antecessor, Bento XVI.
A encíclica “Lumen Fidei” (Luz da Fé) deveria ser parte de uma série de Bento XVI sobre as virtudes teológicas, somando-se a textos anteriores sobre o amor e a esperança, mas acabou não sendo concluída. O novo texto salienta a importância central da fé cristã contra a “enorme amnésia no nosso mundo contemporâneo” causada pela confiança excessiva na tecnologia.
“Quando a fé está enfraquecida, as fundações da humanidade também correm o risco de serem enfraquecidas”, disse Francisco, no texto divulgado três dias antes de uma visita dele a Lampedusa, pequena ilha ao sul da Sicília conhecida por atrair imigrantes clandestinos do norte da África, inclusive milhares que morrem sem conseguir concluir a travessia.
Mas a encíclica de 82 páginas, que é uma carta aos bispos e fiéis apresentando a visão do papa sobre doutrina e outras questões, deixa claro que ele não vê um rompimento fundamental em termos teológicos com Bento XVI, a quem expressa gratidão.
A encíclica vem no momento em que a Igreja enfrenta uma nova turbulência envolvendo o banco do Vaticano, após a prisão de um prelado e a renúncia de dois dos principais gestores do banco, conhecido como Instituto Obras de Religião (IOR).
O novo papa já nomeou uma comissão de inquérito para se familiarizar com os problemas do IOR. Limpar uma instituição notória por sua falta de transparência será um dos seus mais espinhosos desafios.
Folhapress

