Lula diz que não foi à Marcha para Jesus para ‘não tirar proveito político de uma coisa sagrada’

ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOMarcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta feira, (08) feriado Corpus Christi
SP – MARCHA/PARA/JESUS – GERAL – Marcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta feira, (08) feriado Corpus Christi, o evento gospel é liderado pela Igreja Renascer em Cristo. 08/06/2023

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que escolheu não participar da Marcha para Jesus nesta quinta-feira (4), para não passar a ideia de que está tirando proveito político de algo sagrado. “Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque não quero passar a ideia de que estou tirando proveito político de uma coisa sagrada”. 

A declaração foi feita durante uma ligação com o apóstolo Estevam Hernandes, criador do evento no Brasil, e o advogado-geral da União Jorge Messias, compartilhada nas redes sociais. Os dois participavam da Marcha para Jesus no feriado de Corpus Christi quando fizeram a chamada para Lula.

 

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Um post compartilhado por Jorge Messias (@jorgemessiasagu)

O presidente ainda comemorou o sucesso do evento que acontece em São Paulo, sancionado por ele. “Estou muito feliz porque uma coisa que sancionei há tanto tempo atrás e o sucesso que está tendo a Marcha para Jesus é uma coisa muito importante.”

Na fala, o presidente se refere à Lei Federal nº 12.025, oficializada em 2009 por ele, que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus. O evento chegou ao Brasil em 1993, trazido pelo apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo.

Lula busca a reeleição para a presidência concorrendo com Flávio Bolsonaro (PL), que também participou do evento, ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e de outros políticos.

Messias no STF

O advogado-geral da União Jorge Messias foi o indicado por Lula para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal na vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. No entanto, a oposição ao governo se movimentou para barrar a indicação no Senado, representando a maior derrota do mandato, segundo aliados.

Messias foi o primeiro rejeitado para o cargo desde 1894, recebendo 42 votos contra e 34 a favor de sua indicação. A negativa é atribuída a uma articulação do presidente da casa, Davi Alcolumbre, fortalecendo a pré-candidatura do principal rival de Lula na corrida eleitoral, Flávio Bolsonaro.

Messias e o filho do ex-presidente estiveram juntos no trio elétrico reservado para autoridades na Marcha para Jesus, mas o pré-candidato negou existir “climão” entre os dois. “Isso aqui não é um movimento político, estou aqui porque sou um cristão evangélico. (…) Não tem ‘climão’ nenhum aqui, estamos aqui no meu propósito que é Deus no comando”, disse.

Recentemente, Lula sinalizou que voltará a enviar ao Senado a indicação para que o advogado-geral da União assuma um lugar no Supremo. Segundo ele, Messias é um dos melhores advogados do país e a rejeição de sua indicação anterior ocorreu por motivos políticos e não por falta de qualificação técnica.

O presidente lembrou que o Senado tem prerrogativa de rejeitar nomes, desde que apresente critérios objetivos. “Sou eu que indico. O Senado pode derrotar alguém se ele não tiver competência jurídica. O que não pode é simplesmente derrotar por derrotar”, argumentou. “Portanto, eu vou indicar o Messias outra vez.”

*com informações do Estadão Conteúdo e Agência Brasil.

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