Israel ameaça processar NYT por artigo sobre violência sexual contra palestinos

O governo de Israel afirmou nesta quinta-feira (14) que pretende processar o jornal The New York Times e o jornalista Nicholas Kristof por difamação após a publicação de um artigo sobre supostos casos de violência sexual cometidos por soldados, guardas prisionais, interrogadores da agência de segurança interna Shin Bet e colonos israelenses contra prisioneiros palestinos.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu disse ter instruído seus assessores jurídicos a considerar “as medidas legais mais severas” contra o jornal e o repórter, que escreveu o artigo de opinião baseado na Cisjordânia. O texto foi republicado pela Folha.

Segundo Netanyahu, o texto “difamou os soldados de Israel” e promoveu um “libelo de sangue” ao tentar estabelecer uma “falsa simetria” entre o Hamas e as forças israelenses. “Vamos combater essas mentiras no tribunal da opinião pública e no tribunal da lei. A verdade prevalecerá”, escreveu ele em nota.

A expressão “libelo de sangue” tem um significado histórico; sua origem se refere a uma acusação antissemita falsa que atribuía a judeus a morte de crianças cristãs para uso de seu sangue em rituais religiosos.

O premiê não informou onde nem quando a ação judicial será apresentada. Em agosto do ano passado, Netanyahu também ameaçou processar o New York Times por uma reportagem sobre fome na Faixa de Gaza, mas acabou não levando o processo adiante.

O artigo sobre abusos sexuais foi publicado na seção de opinião do jornal e reúne relatos palestinos. Um dos depoimentos é de Sami al-Sai, 46, jornalista freelancer. Ele disse que, ao ser levado para uma cela após sua detenção em 2024, um grupo de guardas o jogou no chão.

“Todos estavam me batendo, e um pisou na minha cabeça e no meu pescoço”, afirmou. “Alguém puxou minhas calças para baixo. Baixaram minha cueca.”

Então um dos guardas pegou um cassetete de borracha usado para espancar prisioneiros. “Eles tentavam forçá-lo no meu reto, e eu me contraía para impedir, mas não conseguia”, disse. “Era muito doloroso.”

Os guardas riam dele, afirmou. “Então ouvi alguém dizer: ‘Me dê as cenouras’”, disse, acrescentando que depois usaram uma cenoura. “Foi extremamente doloroso. Eu rezava pela morte.”

Após críticas de parlamentares israelenses, o New York Times divulgou uma nota defendendo o trabalho de Kristof. Segundo o porta-voz do jornal, Charlie Stadtlander, os relatos foram corroborados, quando possível, por testemunhas e por pessoas a quem as vítimas confiaram suas histórias, incluindo familiares e advogados. Ele acrescentou que os detalhes passaram por “extensa checagem de fatos”.

Ainda segundo o artigo do New York Times, o Comitê de Proteção dos Jornalistas, respeitada entidade americana, entrevistou 59 jornalistas palestinos libertados por autoridades israelenses após os ataques do 7 de Outubro. Três por cento disseram ter sido estuprados, e 29% afirmaram ter sofrido outras formas de violência sexual.

Kristof escreveu que os impostos pagos por cidadãos americanos subsidiam o aparato de segurança israelense e que, portanto, os EUA seriam cúmplices dessa violência sexual.

A ONU e organizações de direitos humanos afirmam ter documentado casos de violência sexual cometidos tanto por Israel quanto pelo Hamas desde o ataque do grupo terrorista palestino contra Israel em 7 de outubro de 2023, atentado que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.

O governo israelense rejeita sugestões de que abuse sexualmente de palestinos, assim como o Hamas negou ter estuprado mulheres israelenses no 7 de Outubro.

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