O Irã afirmou nesta segunda-feira (3) que não há negociações em andamento com os Estados Unidos nem planos para qualquer reunião, contradizendo o que havia dito Donald Trump na véspera. No domingo (2), o presidente americano afirmou que uma nova rodada de negociações com Teerã começaria nesta segunda e que, por isso, ele havia suspendido novos ataques contra o país persa.
Durante o fim de semana, o republicano repetiu um padrão que vem se consolidando nos últimos meses de conflito. Trump anuncia planos para lançar uma ofensiva contra o Irã, apenas para recuar no último momento.
“Não estou procurando matar pessoas”, disse Trump a bordo do Air Force One no domingo. “Neste momento, o que estamos fazendo é conversar com eles, na forma de uma negociação. Isso começa amanhã à tarde”, afirmou, sem dar mais detalhes das supostas conversas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou a afirmação. Segundo ele, Teerã não tem planos de receber delegações estrangeiras nem de enviar negociadores ao exterior nos próximos dias.
Baghaei acrescentou que todos os negociadores iranianos estão atualmente no país, com exceção do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que está em uma peregrinação religiosa no Iraque. As únicas conversas em andamento, segundo ele, são com Omã sobre a gestão do estreito de Hormuz.
Um funcionário de alto escalão do regime iraniano reforçou a informação à agência Reuters, dizendo que nenhuma negociação está prevista e que Araghchi só deve voltar a ficar disponível a partir do fim da semana.
Em diversas ocasiões, Trump ameaçou recorrer à ação militar apenas para, posteriormente, citar contatos diplomáticos como motivo para recuar. Desta vez, não foi diferente. O presidente ameaçou atacar o Irã “com muita força”, mas o presidente voltou atrás ao afirmar que a estrutura de um acordo já estava sobre a mesa.
“No momento, não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo estreito de Hormuz”, disse Baqhaei a jornalistas, ao negar as declarações de Trump.
Hormuz tornou-se um dos principais obstáculos nos esforços para encerrar o conflito. O Irã fechou essa rota, disparando contra navios comerciais que tentassem furar o bloqueio. Antes da guerra, a passagem pelo estreito era livre, mas agora Teerã insiste em manter o controle e cobrar pedágios, algo que Washington rejeita.
Baqhaei declarou à televisão estatal que um acordo com Omã estava prestes a ser concluído
O Irã vem rejeitando publicamente qualquer negociação com Washington desde que um memorando de entendimento firmado em junho, destinado a encerrar o conflito, fracassou no mês passado.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear iraniano, reduzir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seu governo clerical.
As sucessivas escaladas promovidas pelos EUA foram respondidas por ações cada vez mais intensas do Irã contra forças americanas na região, aliados árabes de Washington no Golfo e embarcações comerciais, terminando, em cada ocasião, com um recuo de Trump.
A disputa por Hormuz continua sendo um dos principais pontos de conflito. Até agora, Washington não conseguiu obrigar o Irã a abrir mão de seu controle sobre essa rota, o que elevou os preços globais do petróleo e pressionou os preços da gasolina nos EUA, um tema sensível para a polícia interna americana.
O incidente mais recente na região foi registrado durante a madrugada desta segunda-feira, quando o órgão britânico de segurança marítima UKMTO informou que o comandante de uma embarcação relatou uma explosão na água nas proximidades do navio. Não houve feridos.

