O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou, neste final de semana, que o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) será seu herdeiro político na presidência da República. A declaração ocorreu ao projetar uma vitória do político ao governo de São Paulo na eleição deste ano e uma futura candidatura ao Palácio do Planalto após dois mandatos consecutivos no estado.
Ao discursar para dirigentes e militantes, Lula afirmou que o país precisa pensar no futuro e sugeriu que Haddad poderá sucedê-lo na presidência.
“Agora é hora de pensar nesse país. Qual é o país do futuro que eu vou entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, estiver sendo presidente da República”, declarou durante a convenção do PT que o confirmou como candidato à reeleição neste ano.
Lula também afirmou que o Brasil precisa estabelecer prioridades nacionais com planejamento de longo prazo. Na sequência, o presidente ampliou o discurso sobre renovação de lideranças dentro do partido e citou outros nomes da legenda como possíveis presidenciáveis.
“Ou você, Rafael Fonteles? Quem sabe sai do Piauí o próximo? Ou quem sabe do Ceará. Ou quem sabe de Pernambuco. De algum lugar vai sair. E da Bahia”, questionou acrescentando que a eleição atual servirá para definir “que país a gente vai deixar do ponto de vista das coisas que ainda não fizemos”.
Durante a convenção que oficializou a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin para a disputa presidencial, Haddad também discursou e defendeu a continuidade do atual projeto político.
“O Brasil está sendo reconstruído e vai continuar seguindo em frente. De cabeça erguida, sem abaixar a cabeça diante do presidente de nenhum outro país, sem colocar boné de presidente de nenhum outro país”, disse.
Haddad de novo
A preferência de Lula por Haddad como sucessor político não é inédita e já ocorreu na eleição presidencial de 2018. Naquele ano, o então ex-presidente teve sua candidatura impedida após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar seu registro com base na Lei da Ficha Limpa, o que levou o PT a substituir o candidato dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
Na ocasião, Haddad assumiu a cabeça da chapa presidencial ao lado de Manuela d’Ávila, após decisão anunciada pelo partido em Curitiba por meio de uma carta enviada por Lula. A mudança ocorreu depois de o petista permanecer preso em decorrência de condenação confirmada em segunda instância no âmbito da Operação Lava Jato.
A disputa presidencial de 2018 foi marcada pela forte polarização política e terminou com a vitória de Jair Bolsonaro (então no PSL). No primeiro turno, Bolsonaro recebeu 46,03% dos votos válidos, contra 29,28% de Haddad, enquanto no segundo turno foi eleito com 55,13% dos votos válidos, ante 44,87% do candidato petista.


