Em mais uma visita forçada a imóveis abandonados, em Fortaleza, agentes de endemias encontraram novos focos do mosquito Aedes aegypti. Ontem, foi o terceiro dia das visitas compulsórias que estão sendo realizadas pela Regional II e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). As vistorias não têm data para encerrar.
No primeiro prédio, um terreno abandonado, no bairro Joaquim Távora, os agentes quebraram a parede para poder entrar. Lá, encontraram dois focos. No local, material orgânico, lixo e terra chegavam à altura da metade do muro, e, além disso, a plantação elevada já preenchia toda a área. Latas de tintas vazias acumulavam água servindo de criadouro para reprodução do mosquito. O imóvel fica localizado na Rua Carlos Vasconcelos, entre as ruas João Brígido e Padre Valdevino.
Dados da Célula de Vigilância Ambiental (Cevam) mostram que o índice anual de infestação do bairro é de 0,3%. De acordo com o 20º informe semanal de dengue, no mesmo bairro já foram notificados 30 casos de dengue e 27 de chikunguya, nenhum confirmado.
Cocó
Na segunda visita do dia de ontem, no bairro Cocó, o endereço foi de uma casa na Rua Gilberto Studart. Os agentes levaram um chaveiro para conseguir entrar na casa. O imóvel abandonado possui uma piscina, o que facilita a criação das larvas. No endereço, porém, não foram encontrados focos. O índice de infestação do bairro é de 7,69%, com o registro de três casos de dengue.
Em toda Regional II, o índice é de 2,56%. Até o dia 20 de maio, foram notificados 302 casos de dengue e 146 de chikungunya, sendo oito casos confirmados. Segundo o coordenador de endemias da Regional II, Nilton Martins, existem de 200 a 250 imóveis na mesma condição entre os 21 bairros da Regional. As visitas acontecem quando os proprietários dos bens não são encontrados e o imóvel é notificado três vezes. Após a terceira tentativa, podem entrar de forma compulsória. “Depois que a gente visita o local, o dono tem até 15 dias para regularizar a situação e fazer a limpeza”, explica Nilton.
O coordenador também destaca que a população pode denunciar os possíveis focos do mosquito por meio da ouvidoria do órgão, no número 3241.4802 ou através da Ouvidoria da Saúde, no número 0800 275 1364.
Visitas
As visitas são autorizadas por Lei (15.959/2016) e tem apoio da Guarda Municipal de Fortaleza. Após o ingresso nos locais, a Vigilância Sanitária e a Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos recebem os documentos para localizar o proprietário do imóvel. Se em até 15 dias, o mesmo não regularizar a situação, pode pagar multa que varia de R$ 200,00 a R$ 1.200. Ainda não há novos locais e datas definidas para as próximas visitas.
Casos
Conforme a Secretaria Regional II, até o dia 20 de maio, foram confirmados 3.512 casos de dengue em Fortaleza. Os dados são relativos à 20ª semana do boletim parcial. 5.616 estão sendo investigados. O número apresenta queda de 74,64%, comparado ao mesmo período do ano passado, o qual contabilizava 14.727 casos. De dengue com sinais de alarme, são 15. De chikungunya, foram notificados 2.128 e confirmados 800. 913, ainda em investigação. Relacionados a Zika, o boletim não informava.
Fonte: OE

