EUA recomeçam ataque ao Irã após ameaça de Trump

As forças dos Estados Unidos recomeçaram a atacar pontos do Irã nesta quarta-feira (8), horas após o presidente Donald Trump dizer que a trégua estabelecida entre os rivais em 17 de junho estava acabada.

Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, responsáveis pela área do Oriente Médio, o objetivo dos ataques adicionais é impedir que Teerã cumpra sua promessa de fechar o estratégico estreito de Hormuz, por onde passavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra iniciada por Trump em fevereiro.

A nova rodada de ataques começou quando o Irã atacou três petroleiros na região que deveria estar aberta, segundo termos do memorando com Washington.

Na terça (7), os EUA bombardearam posições iranianas junto ao golfo Pérsico, e nesta quarta Teerã lançou mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait.

O risco agora é de uma escalada com impacto óbvio no mercado internacional e no preço do petróleo, conforme havia prometido a Guarda Revolucionária iraniana mais cedo. Segundo ela, haverá o dobro de ataques em relação à retaliação contra três unidades militares americanas no golfo.

O novo ataque dos EUA ocorreu quando Trump já havia deixado a Turquia, onde participou na terça e nesta quarta da reunião de cúpula da aliança militar Otan. Ele voou no modelo antigo do Air Force One, que tem sistemas de defesa eletrônica e antimíssil que o novo avião temporário que ganhou do Qatar não transporta.

Segundo a mídia estatal iraniana, houve explosões não só na área costeira, que de todo modo viu ataques a Jask e Chabahar, já no golfo de Omã, e em Abu Musa, em Hormuz.

Ao menos um ataque foi relatado em Bushehr, onde fica a única usina nuclear civil do Irã. Não houve danos às instalações, que não têm a ver com o criticado programa atômico dos aiatolás e são gerenciadas pela russa Rosatom, segundo o governo local.

Com os ataques, a frágil trégua de 60 dias estabelecida no memorando entre americanos e iranianos parece ter acabado, como Trump havia dito em Ancara. Segundo a agência iraniana Nournews, há uma retaliação maciça sendo preparada contra alvos americanos na região, o que pode levar a uma guerra total novamente.

Neste ano, o conflito durou cinco semanas até abril, e depois houve renovações de cessar-fogo pontuadas por troca de ataques até o memorando entrar em vigor no mês passado. Desde então, houve violações de lado a lado, com o Irã buscando estabelecer um controle sobre o estreito de Hormuz.

Washington não aceita isso oficialmente, mas na prática vem ocorrendo, e Omã, país árabe que fica na margem sul do estreito, negocia com Teerã a criação de uma autoridade de controle vista por críticos como um pedágio sobre águas que antes eram de livre navegação.

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