Espanha e Marrocos contêm invasão em Ceuta

A Espanha e o Marrocos reforçaram a cerca da fronteira de Ceuta nesta sexta-feira, 31, depois de cerca de 49 mil migrantes cruzarem ilegalmente a fronteira em 24 horas, resultando em pelo menos 57 mortes. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a situação como um ataque e atribuiu o aumento do fluxo a máfias que espalharam boatos sobre decisões judiciais. A Itália ameaçou suspender o Espaço Schengen com a Espanha, enquanto a França ofereceu ajuda.

Espanha e Marrocos reforçaram a cerca da fronteira do território espanhol de Ceuta nesta sexta-feira, 31, e conseguiram conter a invasão em massa de migrantes. De acordo com informações da agência Reuters, cerca de 49 mil pessoas cruzaram ilegalmente a fronteira em 24 horas, por mar e terra, com pelo menos 57 mortes. Mais cedo, eram 34 óbitos confirmados.

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O Departamento de Segurança Nacional da Espanha citou o Ministério do Interior em seu site. A fonte informou que mais de 49 mil pessoas cruzaram a fronteira. No entanto, a declaração foi posteriormente retirada do ar, sem explicações. Juan Jesús Vivas, líder do território, estimou a travessia recente em até 60 mil pessoas. Esse número representa mais de 70% da população local, de cerca de 85 mil habitantes.

A invasão ocorreu em Ceuta, um pequeno enclave espanhol no norte da África. O local se projeta do Marrocos para o Mediterrâneo. O episódio causou choque e divisão na Europa.

Diante da crise, a França intensificará as verificações na fronteira espanhola. Já a Itália ameaçou suspender as regras de livre circulação com os espanhóis.

Sánchez culpa máfias e boatos

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, visitou Ceuta nesta sexta-feira e classificou o incidente como “um ataque, uma violação” do território nacional. “O governo espanhol está ao lado da cidade de Ceuta”, disse o premiê.

Sánchez afirmou que o fluxo súbito foi causado por máfias do tráfico de pessoas que espalharam boatos sobre uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha. No início do mês, a Corte decidiu que a devolução imediata de migrantes que cruzam a fronteira ilegalmente não se aplica àqueles que chegam por mar.

“O que emergiu das nossas conversas com as autoridades marroquinas é que as máfias do tráfico de pessoas fizeram uma interpretação conveniente da decisão do Supremo Tribunal”, disse Sánchez. “Isso espalhou-se como fogo em palha nas últimas horas.”

O ministro da Política Territorial da Espanha, Ángel Víctor Torres, afirmou que o governo reagiu imediatamente ao fluxo e que procederia ao retorno dos migrantes, respeitando as decisões judiciais e os direitos dos migrantes.

Itália suspende Espanha do Espaço Schengen

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que seu país decidiu “intervir com medidas extraordinárias para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha”. A ministra do Interior da Finlândia, Mari Rantanen, elogiou a proposta e afirmou que a União Europeia deveria seguir o exemplo da Itália.

Leia mais: “Milhares de imigrantes invadem território da Espanha

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, criticou a decisão do governo espanhol de conceder cidadania a mais de 500 mil imigrantes. “As imagens vindas de Ceuta mostram como a decisão do governo de Madri é profundamente equivocada e incentiva o tráfico de pessoas”, escreveu.

O chanceler espanhol, José Manuel Albares, respondeu que a mensagem de Tajani é “inapropriada” e disse que convocará o embaixador italiano para protestar. A França, por outro lado, está em contato com as autoridades espanholas e marroquinas e pronta para ajudar, se necessário.

Ceuta e Melilla possuem as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. As duas cidades vivenciam periodicamente ondas de tentativas de travessia, mas a escala da invasão de quinta-feira não tinha precedentes.

No lado marroquino da fronteira, milhares de migrantes invadiram a cidade de Fnideq durante a noite. Embora a passagem parecesse bloqueada, grupos se deslocavam ao longo da costa em busca de rotas alternativas. Entre os que tentavam atravessar, havia mulheres e crianças, tanto do Marrocos quanto de países da África Subsaariana.

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A associação da Guarda Civil espanhola afirmou que havia poucos policiais no local para monitorar a cerca durante o fluxo migratório, o que os impossibilitou de impedi-lo.

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