• Leão XIV afirma, no prefácio de Desarmada e desarmante: a paz é um dom, que o desarmamento, e não armas atômicas, gera a paz.
• Publicado pela Livraria Editora Vaticana, o livro organizado por Alessandro Banfi reúne discursos do papa desde sua eleição, em maio de 2025.
• No texto, o pontífice aborda guerras em curso e afirma que a construção da paz também depende da responsabilidade individual.
O papa Leão XIV afirmou que a paz não é garantida por armas atômicas, mas pelo desarmamento. A posição faz parte do prefácio do livro Desarmada e desarmante: a paz é um dom, publicado pela editora do Vaticano. A obra, organizada pelo jornalista italiano Alessandro Banfi, reúne discursos do pontífice sobre a paz desde sua eleição, em 8 de maio de 2025.
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No texto, o papa afirma que “não são as armas atômicas que geram a paz, mas sim o desarmamento”. Ele também cita o Índice Global da Paz de 2026 para afirmar que “103 Estados estão envolvidos de alguma forma numa guerra” e menciona conflitos na Ucrânia, no Oriente Médio, no Sudão, em Mianmar, no Iêmen e no Congo.
Leão XIV retoma a expressão “Terceira Guerra Mundial em pedaços”, criada pelo papa Francisco, e sustenta que a paz exige responsabilidade individual. “A paz começa por mim, começa por nós”, escreve. Em outro trecho, afirma que “a paz constrói-se com pequenos gestos diários: um sorriso, um insulto perdoado, uma palavra amável”.

Papa cita Bob Dylan ao mencionar bombas nucleares
Ao abordar a questão nuclear, o papa afirma que a desescalada nuclear observada nas últimas décadas deu lugar a uma nova corrida armamentista que “hoje assusta e aterroriza”. Em seguida, cita o cantor e compositor Bob Dylan: “Odeio-te porque o homem te fez, e o homem te possui, e o homem te manipula”, em referência à bomba atômica.
O papa também cita o caso do oficial soviético Stanislav Petrov que, em 1983, decidiu não comunicar um suposto ataque nuclear dos Estados Unidos depois de identificar uma falha no sistema de monitoramento por satélite. Para Leão XIV, “a consciência de um único homem pode valer o mundo inteiro”.
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Livro pretende reunir “palavras-chave” do primeiro ano de pontificado
Em entrevista ao Vatican News, Banfi destacou que um dos capítulos trata da cobertura jornalística em tempos de guerra. Segundo ele, Leão XIV pede que os conflitos sejam narrados “na ótica das vítimas”, e não “como se descreve um videogame“, priorizando a realidade de “mulheres e crianças” afetadas.
Banfi ainda afirmou que o objetivo foi reunir em um único volume “as palavras-chave” sobre a paz deste primeiro ano de pontificado. Segundo ele, o papa “está longe de uma concepção utópica ou ideológica” e apresenta a paz como “um dom, mas também uma responsabilidade”.
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