Como Vorcaro atuava para ampliar o apoio ao Master no governo

Um relatório da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, cujo sigilo foi derrubado há poucos dias pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela o que os investigadores classificam como uma sofisticada estrutura de captura de agentes públicos e influência política, dentro e fora de Brasília, com tentáculos que poderiam levar ao governo federal e ao Congresso.

No centro de uma dessas frentes de apuração estava o senador Jaques Wagner (PT-BA), apontado como um dos principais interlocutores e beneficiários do esquema montado pelos gestores do Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, para blindar e expandir negócios do conglomerado.

Jaques Wagner disse estar “muito tranquilo” por ter “certeza de que vai provar sua inocência”. Ele afirmou também que não comentaria detalhes do inquérito por orientação da defesa. O relatório em questão foi justamente o que deu base à fase da Compliance Zero que teve como um dos alvos o senador.

Investigadores descrevem, em um documento de 98 páginas endereçado a Mendonça, um cenário em que a estrutura do governo federal e o processo legislativo podem ter sido colocados, ao menos em partes, a serviço de interesses privados em troca de vantagens indevidas.