Quase quatro meses após ser denunciado, o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida ainda não foi localizado pela Justiça para ser notificado no processo em que é acusado de importunação sexual contra a ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco.
Segundo apurou a CNN Brasil, a Justiça de São Paulo não conseguiu encontrar Almeida nos endereços informados inicialmente. Diante das tentativas frustradas, a PGR (Procuradoria-Geral da República) indicou novos locais onde o ex-ministro pode ser procurado.
A denúncia foi apresentada em março pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O processo corre sob sigilo no STF (Supremo Tribunal Federal) e está sob relatoria do ministro André Mendonça, que determinou a citação de Almeida, procedimento necessário para que o ex-ministro seja formalmente informado sobre a acusação e possa apresentar defesa.
Na semana passada, a Procuradoria devolveu o processo ao Supremo com a indicação de novos endereços onde Almeida poderá ser procurado. A dificuldade em localizar o ex-ministro atrasa a análise da denúncia: sem a resposta da defesa, o Supremo não pode decidir se aceita a acusação e transforma Almeida em réu.
Na denúncia, Gonet afirma que as provas reunidas na investigação corroboram o relato de Anielle Franco.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi uma das testemunhas ouvidas na investigação. Ele participou de uma reunião na qual Almeida teria importunado a então colega de governo.
O caso levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a demitir Almeida do Ministério dos Direitos Humanos em setembro de 2024.
O ex-ministro nega a acusação. Após ser denunciado, disse que responderia ao caso na Justiça e afirmou que a denúncia foi usada politicamente para afastá-lo da vida pública.

