Levantamento revela que um grupo de gráficas, supostamente ligado ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, recebeu R$ 18 milhões de campanhas eleitorais de mais de 350 candidatos no Rio de Janeiro de 2018 a 2024. A Polícia Federal investiga se as gráficas funcionavam como empresas de fachada em um esquema de lavagem de dinheiro. Políticos afirmam que as contratações foram regulares e desconheciam qualquer ligação com o contraventor, que negou envolvimento.
Um grupo de gráficas investigado por suposta ligação com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, recebeu R$ 18 milhões de campanhas eleitorais de mais de 350 candidatos no Rio de Janeiro de 2018 a 2024.
As informações constam em um levantamento publicado pelo portal UOL nesta terça-feira, 14. As gráficas investigadas são: a Nova Visual, a Apel Gráfica e a Gráfica Editora Completa.
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Entre os mais de 350 candidatos que contrataram os serviços das gráficas estão:
- Eduardo Paes (PSD), então prefeito do Rio de Janeiro;
- Cláudio Castro (PL), então governador do Rio de Janeiro;
- Wilson Witzel (DC), ex-governador do Rio de Janeiro;
- Alexandre Ramagem (PL), ex-deputado federal do Rio de Janeiro;
- Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador do Rio de Janeiro;
- Dr. Luizinho (PP), deputado federal do Rio de Janeiro;
- Rodrigo Amorim (PL), deputado estadual do Rio de Janeiro, e
- André Ceciliano (PT), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
A reportagem analisou as prestações de contas entregues pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral. Os documentos mostram que as campanhas contrataram as empresas para produzir santinhos, adesivos, panfletos e outros materiais gráficos.
PF investiga gráficas
A Polícia Federal (PF) afirma que há indícios de que as gráficas funcionavam como empresas de fachada e integravam um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao contraventor Adilsinho.
A decisão do relator do caso, ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que autorizou a continuidade das investigações, no entanto, ressalta que a contratação das empresas, por si só, não configura irregularidade. A PF agora apura se as gráficas prestaram os serviços contratados e se tinham estrutura para executar os trabalhos declarados nas prestações de contas.
A PF afirma que Adilsinho é um dos principais nomes da contravenção ligada ao jogo do bicho no Estado fluminense. Segundo os investigadores, ele também comandava um esquema milionário de falsificação e distribuição clandestina de cigarros no Rio de Janeiro.
O contraventor voltou a ser alvo de um mandado de prisão em uma das fases mais recentes da Operação Unha e Carne. O inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de organizações criminosas.
Candidatos afirmam que contratações seguiram a lei
Políticos e campanhas afirmam que contrataram as gráficas de forma regular, com emissão de notas fiscais e registro das despesas na prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral. Eles também ressaltam que desconheciam qualquer eventual ligação das empresas com o contraventor investigado.
Em nota, Adilsinho negou qualquer relação com as gráficas investigadas. O contraventor afirmou que jamais efetuou pagamentos a agentes públicos ou políticos e disse confiar que os fatos serão esclarecidos durante o processo judicial.
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