O chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, informou ao governo Lula que enviou ao presidente Donald Trump a recomendação para um novo tarifaço sobre produtos brasileiros, encerrando as negociações em 14 de julho. Greer criticou a falta de empenho do Brasil e afirmou que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções às tarifas, o que foi contestado por representantes brasileiros, que alegaram falta de fundamentos técnicos da investigação dos EUA.
O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, informou a representantes do governo Lula que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Durante reunião virtual realizada nesta terça-feira, 14, ele declarou encerradas as negociações.
Greer criticou o que classificou como falta de empenho do Brasil e revelou que a lista de produtos isentos poderá ser ampliada. Ele também afirmou que o processo de negociação chegou ao fim e responsabilizou o governo brasileiro pela ausência de avanços. Divulgada pela emissora CNN Brasil, a informação foi confirmada por Ivan Kleber, correspondente internacional de Oeste e comentarista do Jornal da Oeste, 2ª Edição.
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A avaliação foi contestada de imediato pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e pelos embaixadores Maurício Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.
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Os representantes brasileiros argumentaram que os EUA não apresentaram fundamentos técnicos suficientes para sustentar a investigação conduzida com base na Seção 301. Também rebateram acusações relacionadas ao aumento do desmatamento, ao afirmar que os indicadores referentes à Amazônia mostram cenário diferente.
Brasil recomendou redução de taxas
Durante o encontro, as autoridades brasileiras recordaram que propuseram reduzir as tarifas de importação sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado norte-americano. Conforme os relatos, a sugestão foi descartada pelo USTR, que não demonstrou disposição para discutir a possibilidade.
Greer também afirmou que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções às novas tarifas. A sinalização foi interpretada pelo governo brasileiro como a confirmação de que, diferentemente das alíquotas implementadas em 2025, não serão feitas ampliações graduais da relação de produtos isentos.
Mesmo assim, o representante comercial norte-americano declarou que havia “tomado nota” dos argumentos apresentados pelo setor privado e pelo governo brasileiro em defesa de uma ampliação das exceções já no anúncio do pacote tarifário.
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Na reunião, integrantes do governo Lula destacaram que parte relevante do comércio bilateral envolve subsidiárias de empresas norte-americanas instaladas no Brasil, responsáveis por exportar peças e componentes produzidos no país para suas matrizes nos EUA.
A avaliação, segundo integrantes do governo, foi bem recebida pelo USTR e alimentou a expectativa de que mais produtos industrializados sejam excluídos da taxação.
“Tarifaço” pode atingir 21% das exportações do Brasil para os EUA
Pelos cálculos do governo brasileiro, o tarifaço, nos moldes discutidos até agora, atingiria cerca de 21% das exportações nacionais para os Estados Unidos, ao considerar o valor embarcado. Integrantes da equipe econômica acreditam que uma ampliação das exceções poderá reduzir esse impacto.
No encerramento da videoconferência, Greer indicou disposição para manter aberto o canal de diálogo entre os dois governos. Antes do fim da reunião, ouviu das autoridades brasileiras a seguinte mensagem: “Nós estamos aqui”.
Leia também: “Todos perdem com o tarifaço“, coluna de Raphaela Ribas publicada na Edição 330 da Revista Oeste

