Um diretor de colégio estadual no noroeste fluminense pediu exoneração do cargo e entregou um esquema de corrupção na Secretaria de Educação do RJ. O funcionário revelou à Polícia Federal (PF) que sofreu forte coação para desviar R$ 200 mil do caixa da escola. O dinheiro abasteceria a campanha eleitoral de Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), que acabou preso na quarta fase da Operação Unha e Carne. As informações são do jornal O Globo.
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O esquema previa a saída do dinheiro público da conta do colégio por meio de uma nota fiscal fria por serviços de reforma que nunca existiram. Os criminosos prometeram devolver o montante duas semanas depois. O servidor reuniu o conselho escolar, registrou a recusa em ata e decidiu abandonar o cargo por afirmar estar cansado de tanta corrupção e com medo de retaliações contra sua família.
Chamada de vídeo e cobrança de propina
O parlamentar do RJ usou a própria imagem para tentar dobrar o funcionário. O assessor do deputado, Luis Fernando Passos de Souza, conhecido como “pastor”, fez uma ligação de vídeo com o diretor e virou a câmera para mostrar Thiago Rangel. No telefonema, o político exigiu a liberação do pagamento e prometeu enviar emendas parlamentares extras para a instituição logo que o dinheiro caísse na conta da empresa terceirizada.
A PF analisou o celular do deputado e identificou o “pastor” como o operador financeiro do grupo criminoso. O dossiê dos investigadores detalha que outras escolas da rede estadual sofreram o mesmo tipo de coação. Os diretores eram obrigados a pagar os contratos em três parcelas antes mesmo do início das obras. Empresários do setor também confirmaram que a quadrilha cobrava propina de 30% sobre as mercadorias vendidas para as escolas.
Os policiais federais encontraram um vídeo no aparelho celular de Thiago Rangel que mostra uma mala cheia de dinheiro vivo. A corporação calcula que o maço de cédulas some cerca de R$ 500 mil em espécie. O montante faria parte de um caixa dois de R$ 2,9 milhões montado para financiar campanhas de aliados no norte fluminense. Os investigadores suspeitam do envolvimento do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar na engenharia dos repasses, o que ele nega.
A PF enviou o relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF) e revelou que os crimes começaram quando Rangel conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do RJ. O caso bate com outra apuração de 2024, a Operação Postos de Midas, que flagrou a explosão do patrimônio do político. Os bens declarados por ele saltaram de R$ 224 mil em 2020 para mais de R$ 1,9 milhão em 2022.
A defesa de Thiago Rangel declarou em nota que o deputado é inocente e criticou o vazamento de documentos sigilosos. Os advogados classificaram os relatos do ex-diretor como mentiras sem checagem. A banca jurídica afirmou ainda que o parlamentar é dono de postos de combustíveis e que os valores em espécie encontrados no celular são legítimos, vindos do faturamento diário de suas empresas.
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