A Câmara Municipal de São Roque, no interior de São Paulo, instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para esclarecer os motivos que levaram o Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais (São Roque Prev) a manter recursos na instituição bancária. Os vereadores tomaram conhecimento de duas atas de reuniões com versões conflitantes sobre os riscos de aplicações financeiras no Banco Master durante a juntada de documentos para o início das investigações.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
Receba nossas atualizações
O presidente do São Roque Prev, Bruno Caparelli, confirmou em depoimento na última quinta-feira, 14, ao Legislativo que a autarquia tem R$ 108 milhões bloqueados.
O fundo previdenciário realizou sete operações financeiras de alto risco a partir de março de 2024 que totalizaram R$ 93 milhões em Letras Financeiras, além de um aporte secundário de R$ 20 milhões no Fundo de Investimento Imobiliário Nest Eagle (EAGL11).
O município conta atualmente com cerca de 3.000 servidores públicos, conforme informações da prefeitura.
As supostas fraudes documentais investigadas pela CPI
Arruda afirmou que o grupo de oposição identificou indícios graves de adulteração de documentos públicos durante a análise do acervo técnico do instituto. O parlamentar relatou que existem duas versões de uma mesma ata do Comitê de Investimentos, sendo que um dos textos apresentava a ausência de riscos na transação com o Banco Master, enquanto o segundo documento trazia um alerta explícito contra a operação.
“Surgiram duas atas de reuniões de conselho do Fundo de Previdência, onde uma ata dizia não haver risco de investimentos no Banco Master, e a outra ata dizia há riscos em investir”, declarou o vereador.
Leia mais: “Mendonça se torna relator de processos sobre abertura de CPMI do Master”
O parlamentar explicou que a equipe técnica pretende auditar o sistema de informática da prefeitura para descobrir qual usuário realizou as modificações no arquivo digital. “Dentro do servidor municipal, existe uma possibilidade de, na alteração da ata, você saber quem é o servidor que alterou”, acrescentou.
O primeiro prazo regulamentar para o encerramento do relatório final expira no dia 10 de julho de 2026. A CPI pode ser prorrgada por mais 90 dias depois do término do primeiro período de apurações caso seja nessário.
Leia mais: “Em meio a tratativas de delação, advogado deixa defesa de expresidente do BRB”
A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro em novembro do ano passado, posteriormente ele foi solto e preso novamente em março. As autoridades investigam o envolvimento do empresário em um esquema de corrupção. O ex-banqueiro também responde pelo pagamento de propinas a ex-diretores do Banco Central. O inquérito apura a ocorrência de fraudes bilionárias em carteiras de crédito do Banco Master, liquidado em 18 de novembro de 2025.

