
Carlomano Marques (PMDB) conseguiu, até agora, manter os dedos, mas teve de se desfazer dos anéis que mantinha na Assembleia Legislativa. Mesmo garantindo temporariamente o mandato por meio de liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o deputado perdeu ontem dois cargos de peso que ocupava na Casa. Além da vice-liderança do governo Cid Gomes (PSB), o parlamentar deixa a presidência da comissão de Saúde do Legislativo.
O peemedebista, conforme O POVO noticiou na última quinta-feira, 14, era candidato único para presidir a comissão de Saúde – cargo que ocupa desde 2010. No entanto, após articulação direta do presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque (PSB), foi eleito ontem o deputado Leonardo Pinheiro (PSD).
“Aceitei o convite do presidente José Albuquerque, que me procurou na tarde de quinta-feira”, afirma Pinheiro. Segundo o Departamento Legislativo da Casa, o próprio Carlomano teria desistido de ocupar a posição. Nos bastidores do Legislativo, no entanto, comentava-se que o deputado teria sido pressionado pelos colegas a abrir mão do controle do grupo.
Permanece indefinida ainda a situação de Carlomano Marques na vice-liderança do governo na Assembleia. Segundo o atual líder do governador Cid Gomes, Sarto Nogueira (PSB), o peemedebista abriu mão de ser reconduzido imediatamente para a posição, mas pode retomar a vice após a conclusão do julgamento de seu recurso no TSE.
“Vamos deixar o TSE analisar o caso e, depois, averiguar as viabilidades políticas, além da disposição pessoal do próprio Carlomano, para definir como deve ficar a vice-liderança”, afirma. Segundo Sarto, o governo permanece, ao menos por enquanto, sem nenhum vice-líder na Assembleia.
Retorno
Na manhã de ontem, a liminar conquistada por Carlomano Marques foi dos assuntos mais comentados pelos deputados estaduais cearenses. Nos bastidores da Assembleia, a maioria dos parlamentares comentava que a opção da Mesa Diretora por não cassar imediatamente o parlamentar, abrindo espaço de oito sessões para sua defesa, livrou a Casa de “situação constrangedora”.
“Imagina se tivéssemos cassado ele? Iríamos ter que correr atrás agora, uma vez que ele teve o direito de recorrer no exercício garantido pela Corte superior”, diz o ex-líder do governo, Sérgio Aguiar (PSB). Carlomano Marques, no entanto, não compareceu à sessão.
O Povo

