FORTALEZA: 38 presos são transferidos de delegacia após novo motim

Jairo Pequeno disse que todo dia há princípios de motins, em Delegacias de Fortaleza. Ontem, ocorreu outro na Capturas, no Centro (FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES/DIÁRIO DO NORDESTE)

Os detentos da Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), em Fortaleza, iniciaram mais um motim, na tarde de ontem, segundo a Polícia. O motivo seria a superlotação do local. Ainda na tarde de ontem, 38 presos foram transferidos da Decap para três presídios situados na Região Metropolitana de Fortaleza. Para hoje, está programada a ida de outros 22 detentos.

O diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegado Jairo Façanha Pequeno, disse que a quantidade de vagas que estão sendo oferecidas é irrisório. “Quando nos ofertavam, semanalmente, 140 vagas já era pouco, agora que são só 50 não sei mais o que faremos”, declarou.

O delegado disse temer que as delegacias não suportem a demanda e a situação se agrave. “As delegacias estão todas muito acima da capacidade de receber presos, a tendência é que, em algum momento, não comportem mais a demanda. Não podemos parar de prender, é nossa função e nossa obrigação. Caso deixemos para lá nosso mister, podemos responder criminalmente por prevaricação”.

Jairo Pequeno salientou que, mesmo que a portaria dure só 30 dias, irá levar um bom tempo para que o número de presos seja normalizado nos DPs. “Depois dos 30 dias, esses presos só poderão ser transferidos gradualmente. Vai ser difícil manter um número razoável de detentos nas delegacias novamente”.

Extrapolou

O delegado disse que as carceragens da Polícia Civil não estão apenas superlotadas, elas estão “extrapoladas” de presos. “Nos DPs cabem, em média, dez presos, no 30ºDP nós temos 40. A média de excedente é de 200 a 300 por cento em todos os Distritos Policiais. Estes números crescentes podem gerar resgates e até fugas em massa. Temos 700 presos sob nossa custódia, acreditamos que até o fim do mês eles cheguem a mil”.

Em nota, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) e a Polícia Civil se pronunciaram sobre o que as instituições consideram ser consequências da decisão do juiz corregedor dos presídios, César Belmino. “O recebimento de presos está comprometido, com excedente represado nas delegacias de Fortaleza e Região Metropolitana, desde a decisão do referido Juiz. As transferências de mais de 200 pessoas privadas de liberdade, que permanecem nas delegacias, já foi comprometida com a decisão, comprometendo também o trabalho de policiais e da Segurança Pública”.

Diário do Nordeste

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