Sem capacete, sem habilitação e sem vida. O trânsito nas rodovias do Ceará é marcado diariamente por imprudência e falta de conscientização, posturas que, na maioria das vezes, resultam em acidentes fatais. Somente em 2012, 887 motociclistas morreram nas estradas cearenses, segundo relatório divulgado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
Do total, 557 mortes de motociclistas foram registradas no interior e 124 em Fortaleza. Em 2011, os números foram 16,56% menores, com 761 mortes de condutores de veículos de duas rodas. O índice de vítimas aumenta na medida em que cresce o número de motos no interior do estado.
A diretora de planejamento do Detran, Lorena Moreira, conta que a cada três motos, duas vão para o interior. “A frota está aumentando. O problema é que, dos 184 municípios cearenses, apenas 53 contam com órgão de fiscalização de trânsito, fazendo com que muitos motociclistas trafeguem irregularmente, sem capacete e sem habilitação”, afirma.
Muitos acidentes e pouca proteção
Em relação a todos os tipos de acidentes (envolvendo motocicletas, carros, pedestres, ciclistas, dentre outros), 2.403 mortes ocorreram no Ceará em 2012. Conforme levantamento do Detran, as motos são os veículos que mais se envolvem em acidentes fatais. Do total do número de mortes, os motociclistas representam 36,91%, seguidos dos pedestres, com 17,19%.
Os condutores de veículos de duas rodas também lideram o ranking de feridos, com 6.327 das 13.099 pessoas feridas. “O principal motivo dos acidentes é a falha humana. A quantidade de colisões em razão de falha mecânica é muito pequena. As pessoas desrespeitam a lei, dirigem sem habilitação e após ingestão de bebida alcoólica”, explica Moreira.
Últimos 10 anos
De 2002 a 2012, mais de 17 mil pessoas morreram em acidentes nas rodovias, destas quase 5 mil eram motociclistas. Em 2002, foram 258 mortes de condutores de veículos de duas rodas, em 2012 o número praticamente quadruplicou, com 887.
“É preciso que todos entendam que o capacete é o cinto de segurança do motociclista. Essa é a única forma de proteção do condutor de um veículo de duas rodas. O motociclista sempre está muito exposto. Em qualquer acidente, ele sofre algum tipo de ferimento. Quando eles não usam o equipamento de segurança, o acidente geralmente é fatal ou deixa sequelas irreversíveis”, finaliza.
Tribuna do Ceará

