O assunto pode parecer saturado, mas quem nunca procurou na internet um meio para se aproximar de uma possível alma gêmea? Não se trata apenas de situações criadas por adolescentes em plena puberdade. O assunto é sério e pessoas “vacinadas” contra qualquer tipo de ação acabam caindo em golpes de criminosos sem face, que escondem a verdadeira identidade, prometem casamento e roubam quantias que podem chegar a R$ 300 mil.
Casos onde há contato direto podem ser fatais, como a morte da jovem paranaense Ângela Maria de Barba, de 28 anos, atraída, segundo a polícia, pelo trocador de ônibus cearense Clécio de Oliveira Braga, de 32 anos, para o Ceará. De acordo com a delegada titular da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), Adriana Arruda, a ocorrência está sendo tratada como latrocínio (roubo seguido de morte), já que o suspeito retirou a quantia de R$ 28 mil da conta-corrente de Angela e jogou o corpo da jovem nas margens da BR-304, próxima do município de Aracati, no Litoral Leste cearense. Os dois começaram o relacionamento amoroso por meio do Facebook. Clécio foi indiciado por latrocínio, falsificação de documento e falsidade ideológica.
Scammers são ameaças constantes e internacionais
Você sabe quem são os scammers? Talvez a falta de informação sobre eles, 20 anos após a popularização da internet, seja um dos motivos pelos quais as pessoas são facilmente enganadas por quem promete oportunidades de um grande amor, mas que são, na verdade, golpistas. Scammers são criminosos que criam perfis, contas ou emails falsos a fim de obterem vantagens financeiras. Para chegar a isso, os scammers precisam criar um cenário bem arquitetado e fazer com que a vítima realmente acredite naquilo. Apesar das facilidades em checar a veracidade das informações cedidas, muitas pessoas ainda caem em tais golpes.
A engenheira eletricista cearense Cacilda Girão, de 53 anos, é uma das vítimas. Ela acabou perdendo R$ 16 mil após se envolver com um “Don Juan virtual”, que se dizia um empresário inglês e que precisava de dinheiro. “Abri [a mensagem] por curiosidade. A conversa é sempre a mesma, que acha você linda e que quer te conhecer. Respondi em inglês e aproveitei para treinar a língua. Quando eles convidam, pedem logo para ir para o email, mas convidei para ser amigo. Foi burrice, porque ele pôde ver tudo sobre mim”, contou.
As histórias dos perfis falsos são quase sempre as mesmas. “Eles se apresentam como homens com idade entre 25 e 55 anos, solteiros ou viúvos com filhos adolescentes. Eles dizem que trabalham como empresários, engenheiros, médicos, professores, arquitetos, negociantes de arte, de ouro ou de petróleo. Também se dizem tementes a Deus e recheiam os emails com histórias tristes e comoventes, como a morte ou traição da esposa e doença do filho ou filha. Romantismo é a arma fatal para a fraude”, conta o psicólogo Marcelo Salgado, especialista em psico-informática e professor do curso de Psicologia da Unifor.


