
Clientes de lojas localizadas na Rua Floriano Peixoto, no Centro de Fortaleza, se depararam com alagamento e intenso mau cheiro, durante todo o dia de ontem, devido a um extravasamento de esgoto. Os passantes disseram temer por doenças e os profissionais do comércio registraram prejuízos de até R$ 50 mil.
O alagamento teve início na terça-feira (15), mas, ontem, o volume aumentou consideravelmente, e o odor desagradável se tornou insuportável, informaram os transeuntes.
Segundo a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), o problema é causado por acúmulo de dejetos sólidos na tubulação do local. Os transtornos vêm juntamente com a quadra invernosa, mas, nas vezes anteriores, o volume era menor, explicou o gerente de uma loja, Francisco Passos.
O problema não é novo. Segundo o vendedor ambulante Francisco Albuquerque, desde a década de 1990, os alagamentos têm ocorrido no mesmo local. Todos os vendedores daquele quarteirão são, de alguma forma, atingidos, segundo ele. O comerciante deixou o trabalho mais cedo porque não aguentou o mau cheiro.
Indignação
Francisco Passos afirmou que teve de baixar as portas com medo de que a água entrasse na loja. Ele disse estar indignado com a perda financeira, causada pelo alagamento. “Temos faturamento diário médio de R$ 100 mil. Apenas nessas horas (de 11h30 às 16h), perdemos cerca de R$ 50 mil”, disse. O vendedor Adrianísio Cruz estimou uma diminuição de 50% no movimento de clientes.
Para Maria de Jesus Damasceno, que fazia compra de material escolar e passou pelo local, o medo de contrair uma doença, em contato com a água suja, era latente. “Com certeza, há micróbios nessa água. Podem surgir doenças”, queixou-se. Uma outra cliente ainda chegou a escorregar e caiu na lama, segundo Francisco Passos.
A Cagece só realizou os reparos por volta de 17h, e informou que a unidade responsável pela área recebeu a primeira reclamação por volta do meio-dia. Para prevenir outras ocorrências deste tipo, o órgão iniciou, na noite de ontem, a limpeza preventiva da rede local.
O trabalho é executado durante a noite para que não haja transtorno no trânsito da região, declarou a Cagece.
Diário do Nordeste

