
Fortaleza tem cerca de 1.600 a 1.800 novos casos de tuberculose a cada ano, o que representa perto de 50% das notificações da doença em todo o Estado do Ceará no período, que oscilam em quatro mil registros. Na melhor das hipóteses, desses enfermos, 70% conseguem se curar, quando o preconizado pelo Ministério da Saúde é um percentual de 85%. Os dados são da assessora técnica de Tuberculose e Hanseníase da Secretaria de Saúde do Município (SMS), a enfermeira sanitarista Heloísa Gurgel.
Além disso, são registrados, anualmente, na Capital, uma média de 100 óbitos, que têm como uma das principais causas o abandono do tratamento da tuberculose, explica Heloísa Gurgel, informando que levantamento realizado na Secretaria apontou que, de dezembro de 2009 a dezembro de 2011, morreram, em Fortaleza, 339 pessoas vítimas da doença.
Tratamento
“Na realidade, das doenças infectocontagiosas e transmissíveis, a tuberculose é a que mais mata na Capital”, disse a enfermeira, explicando que a interrupção no tratamento, hoje, atinge mais de 15% dos pacientes, quando o tolerável pelo Ministério é de 5%. “Isso acontece por vários motivos”, disse, citando que o tempo prolongado de tratamento – seis meses – é uma das causas. “Durante 180 dias, o paciente precisa tomar uma combinação de drogas muito fortes”, declarou, esclarecendo que antigamente o doente ingeria 12 remédios, mas agora é só um (uma combinação que inclui as substâncias rifanpicina, isoniazida, pirazinanida e epambutol), mas por ser forte causa mal-estar.
Medicação
Via de regra, no segundo mês do tratamento, o paciente começa a registrar melhora e deixa de ter febre, o que faz com que alguns parem de tomar a medicação. “Porém, é grande a possibilidade de a doença voltar e o bacilo (de Koch) tornar-se muito mais resistente à medicação e, o mais grave, diminuindo a possibilidade de cura”, observou.
Segundo ela, a população pobre costuma ser a mais acometida. “Além disso, embora a doença seja mais frequente na população dessa classe social jovem e adulta economicamente ativa, vem ocorrendo uma ligeiro aumento da incidência entre os idosos”, ressaltou.
O Dia Mundial de Combate à Tuberculose comemora-se em 24 de março. No entanto, como neste ano a data acontece no domingo e no dia 25 é o feriado pela abolição da escravatura no Ceará, Estado e município decidiram desenvolver a programação alusiva à data no dia 22, na próxima sexta-feira.
Como parte da programação, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) estará realizando um encontro com os comunicadores sociais (como jornalistas e radialistas) no dia 22, às 8 h, no auditório da Sesa, na Av. Almirante Barroso, 600, Praia de Iracema. O tema em discussão será “Tuberculose: fazendo a informação circular”.
Na sexta-feira, lembrou a enfermeira sanitarista Heloísa Gurgel, também haverá no auditório da Sesa a posse dos integrantes do Comitê Metropolitano de Combate à Tuberculose. Ainda nesse dia, serão promovidas “salas de espera” nas 92 unidades de saúde da rede municipal, ou seja, enquanto a população aguarda atendimento médico poderá assistir à apresentação de vídeos, palestras ou receber panfletos sobre a doença. Tudo isso como uma forma de conscientizar as pessoas para a importância da prevenção e do tratamento precoce.
Diário do Nordeste

