
Parentes, amigos e a comunidade católica de Milagres se reuniram na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Milagres, no último sábado (7), quando da missa de um ano de falecimento do Sr. Vicente Tavares de Araújo, conhecido em todo município como Seu Vicente, responsável por décadas por receber as intenções de missa nas celebrações.
Sua morte trágica, ocorrida em 7 de setembro do ano passado, causou grande comoção na cidade, visto que era bem quisto na sociedade local.
DEDICAÇÃO A IGREJA
Seu Vicente faleceu com 85 anos, dos quais 50 foram dedicados plenamente a Igreja, onde começou a trabalhar em 1958, após chegar do Distrito de Jamacaru, em Missão Velha, onde foi agricultor. Chegando a Milagres, abriu uma mercearia no centro da cidade e deu inicio a sua caminhada na Igreja onde era um ícone, segundo o Padre José Gonçalves.
“Seu Vicente Tavares foi e sempre será ícone não só da Igreja de Milagres, mas de toda cidade. Com seu jeito simples e prudente, se relacionava com todas as pessoas, principalmente quando se tratava de anotar as intenções da missa. Fazia isso com muito zelo e amor. Tive um bom relacionamento com ele. Em alguns momentos, recebia muitos conselhos. Gostava muito de Seu Vicente. Um grande homem. Deus o guarde em um bom lugar”, afirmou Padre Gonçalves.
O desprendimento de Seu Vicente e sua dedicação total a Igreja foram citadas pelo Padre Eliomar Tavares Serafim, atual pároco-administrador da Paróquia de Nossa Senhora dos Milagres. “Foi um homem que teve dedicação total a igreja. Que se preocupava em trazer mais alguém para a convivência da igreja. Ele tem uma história muito longa na nossa paróquia e ele sempre contava as suas histórias e que desde criança já se envolvia nos grupos e atuava como catequista”, lembrou o reverendo.
Um grupo pastoral, em especial, tinha enorme carinho por Seu Vicente Tavares: o Terço dos Jovens Milagrenses (TJM), do qual era padrinho e dele recebeu o certificado de “Católico do Ano”. “Ele era o primeiro que chegava aos eventos e o último que saia”, conta Luciana Campos, coordenadora do grupo. “Seu Vicente era um católico fiel aos sacramentos da Igreja”, afirmou.
A MORTE
No dia 1º de setembro de 2012, por volta de 11h00, Seu Vicente estava na casa do filho adotivo, o Sr. João Leite Cabral, onde disse que ia para casa tomar banho e trocar de roupa. “Foi uma tragédia que eu não esqueço. Ele estava aqui em casa, perto da hora do almoço ele falou pra mim: – Eu vou em casa, tomar um banho, trocar a roupa e venho já. Aí eu disse: Padim, essa roupa tá boa, dá para o senhor ficar aqui e depois o senhor vai em casa e dorme um pouco e depois toma banho e troca a roupa. Aí ele disse: – Não, eu vou é agora. Aí foi que aconteceu a tragédia. A peça caiu por cima dele e ele foi a óbito”, lamenta seu filho adotivo.
De fato, com a demora de Seu Vicente para retornar a residência do filho, a esposa do Sr. João Leite Cabral, mandou o sobrinho ir chamá-lo. Por duas oportunidades, chamou na porta, mas ninguém respondeu. Na terceira vez, o próprio Sr. João Leite Cabral foi acompanhado de um homem com uma escada para escalar a casa. Foi quando viram Seu Vicente caído no chão com um roupeiro por cima dele.
Inicialmente, Seu Vicente Tavares foi encaminhado ao Hospital Mãe Bela que, imediatamente, o transferiu para uma das unidades de saúde de Barbalha, onde ficou internado na UTI até o dia 7 de setembro, quando veio a óbito causada por traumatismo craniano.
PRESSÁGIO
A vontade de Seu Vicente Tavares era morrer dentro da Igreja, segundo algumas pessoas que conviveram com ele. Foi lá, aliás, que por diversas vezes, ele passou mal. E foi dentro da Igreja de Nossa Senhora dos Milagres, em agosto do ano passado, que ele declarou aos jovens do TJM que estava próximo o dia em que ele estaria com Dona Nena [sua esposa] no céu.
A FALTA
Passado um ano de sua morte, a ausência de Seu Vicente nas atividades da Igreja e no dia a dia das pessoas da família é enorme, conforme revela seu filho adotivo, o Sr. João Leite Cabral. “Ele é a pessoa que mais me faz falta na vida. Ele me tratava sempre com carinho, me tratava como filho mesmo”, chora.
Agência OKariri | Klébio Leite





