A Câmara dos Deputados paraguaia aprovou nesta quarta-feira (29) declaração de repúdio à fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai. A Casa afirmou que o comentário do petista “distorce e minimiza o significado histórico” do conflito.
“[A fala demonstra] desconhecimento da complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio e as consequências demográficas, econômicas, institucionais e territoriais que marcaram a história da República do Paraguai”, disse a Câmara no documento.
A Casa Legislativa pediu ao Poder Executivo, por meio do Ministério das Relações Exteriores, busque restituir o canhão “El Cristiano” e outros troféus de guerra que pertencem ao “patrimônio histórico” do país e estão em território brasileiro. A Câmara também solicitou que o governo paraguaio “fortaleça” as relações de “amizade e respeito” mútuo com o Brasil.
“A defesa da memória histórica da nação paraguaia é plenamente compatível com o fortalecimento das relações diplomáticas, da integração regional e da cooperação entre os Estados, princípios que devem fundamentar o respeito recíproco, a verdade histórica, a boa fé e o reconhecimento dos acontecimentos que marcaram a história comum dos nossos povos”, declarou a Casa.
Entenda
Lula mencionou a Guerra do Paraguai ao destacar a importância e investimentos em defesa e fortalecimento das Forças Armadas durante visita, na sexta-feira (24), à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no interior de São Paulo. O chefe do Executivo brasileiro disse que, apesar de o Brasil ser pacífico, precisa estar preparado para enfrentar eventuais ameaças.
“Nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. A Guerra do Paraguai custou três orçamentos do Brasil à época. Quando você entra em guerra, você não fica perguntando se tem dinheiro ou não tem dinheiro”, declarou.
Maior conflito na América Latina, a Guerra do Paraguai foi travada entre o país e a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai.
O confronto eclodiu em novembro de 1864 com a captura do vapor brasileiro Marquês de Olinda em porto paraguaio. Sob ordens do ditador do Paraguai Solano López, o exército do país também invadiu a então província de Mato Grosso cerca de seis semanas depois.
Já em maio de 1865, as forças paraguaias fizeram incursões em território argentino.
A guerra terminou em março de 1870 com a vitória da Tríplice Aliança. O Paraguai saiu devastado. Estima-se que 80% da população do país tenha morrido em razão do conflito.

