A ouvidora-geral da Petrobras, Cristina Bueno Camatta, solicitou ao governo Lula a reconsideração de sua transferência de volta à Polícia Federal, após convocação de servidores para reforçar o combate ao crime organizado. Cristina, que ocupa o cargo desde agosto de 2025 e recebe um salário superior a R$ 80 mil, enfrenta divergências no conselho da Petrobras sobre sua permanência, com parte defendendo sua saída e outros, ligados ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apoiando sua continuidade.
A ouvidora-geral da Petrobras, Cristina Bueno Camatta, pediu ao governo Lula a reconsideração da decisão que determina seu retorno à Polícia Federal (PF). O Ministério da Justiça convocou servidores cedidos a outros órgãos.
No mês passado, o Ministério da Justiça convocou mais de cem servidores da PF, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal Federal. A medida atende a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar o combate ao crime organizado. Mais de 50 instituições, entre elas a Petrobras, receberam notificações.
Receba nossas atualizações
+ Entenda o que é Política em Oeste
Cristina resiste a deixar o cargo. Segundo fontes da Petrobras, a função paga salário superior a R$ 80 mil, cerca do dobro da remuneração de um delegado da PF no topo da carreira. Ela ocupa o posto desde agosto de 2025 e está cedida à estatal desde março de 2023.
De acordo com o jornal O Globo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defende a permanência da delegada na estatal. Cristina foi assessora especial de Silveira no Ministério de Minas e Energia. O irmão dela, Gustavo Bueno Camatta, doou R$ 70 mil à campanha do ministro ao Senado em 2022.
Conselho da Petrobras adiou decisão
O Ministério da Justiça notificou a Petrobras em 24 de junho. O conselho de administração marcou uma reunião para formalizar a saída da ouvidora, mas adiou a análise depois do pedido de reconsideração.
A pasta confirmou o recebimento do pedido e informou que ele “permanece em apreciação”. Também afirmou que não há decisão nem “prazo definido para a conclusão da análise” e solicitou manifestação oficial da Petrobras.
O caso gerou divergências no conselho. Parte dos integrantes defende a substituição de Cristina, enquanto conselheiros ligados a Alexandre Silveira atuam por sua permanência.
Disputa política pela indicação
A ouvidoria-geral administra o canal de compliance, denúncias anônimas e acompanha o cumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI), da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), da Lei Anticorrupção e da Lei de Conflito de Interesses.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi contrária à nomeação de Cristina. Integrantes da empresa atribuem sua permanência à influência de Silveira no Palácio do Planalto.
Leia também: “Zema defende privatização da Petrobras e fim da politicagem em estatais”
No entanto, Silveira negou interferência no caso. O ministro classificou como “falsa” a informação de que pressiona pela permanência da delegada. Segundo ele, respeita “integralmente a governança da companhia”, sem exercer “qualquer ação direta em sua gestão”.
Antes de assumir a função, Cristina integrou o Conselho Fiscal da Petrobras e trabalhou na equipe de Silveira no Ministério de Minas e Energia. O ministro mantém proximidade com Lula e recebeu do presidente o pedido para permanecer no governo até o fim do mandato.

