
Ambiente urbano, sertão, serras e litoral. Seja nos pequenos centros ou nas grandes cidades, os acidentes com animais peçonhentos são uma realidade cada vez mais presente na vida do cearense. Até o início de julho, o Estado havia registrado 1.870 casos, com quatro vítimas fatais. Uma das mortes aconteceu no final do mês passado, na zona rural de Várzea Alegre, no cariri cearense, quando o agricultor Damião Marques de Almeida, de 75 anos, foi atacado por uma colmeia de abelhas.
Apesar de ter sido a primeira morte na região em 2016, o número de casos chama a atenção. De acordo com o Diário do Nordeste, todas as nove cidades que compõe a Região Metropolitana do Cariri (RMC) tiveram, pelo menos, um caso registrado no primeiro semestre deste ano. De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Barbalha lidera o ranking com 68 dos 112 casos registrados, o que corresponde a mais de 60% do total. Em 2015, a cidade teve 120 ocorrências com animais peçonhentos, enquanto a RMC encerrou o ano com 247.
A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Barbalha, considera a estática acima da média para o porte do município. Conforme o titular da pasta, Elismar Vasconcelos, a explicação pode está no clima quente e seco, somado aos dejetos descartados de forma irregular nas vias públicas que contribuem para o aumento no número de casos.
O doutor em Ecologia e especialista em herpetofauna, Felipe Bottona Telles, acrescenta que o aumento no número de acidentes com animais peçonhentos nas zonas urbanas deve-se, principalmente, ao processo de perda do habitat, que está relacionado ao desmatamento e ao crescimento das cidades. “Isto faz com que os animais percam seus ambientes, com as zonas urbanas se aproximando cada vez mais de áreas naturais. A preservação destes ambientes se faz necessária e urgente para obtermos um equilíbrio ecológico”, explicou.
O consultor ambiental detalha ainda que, como forma de prevenção, “é preciso tomar medidas importantes como manter limpos os arredores da casa e acondicionar o lixo em recipientes fechados para não atrair baratas e ratos, que são alimentos para aranhas e serpentes”.
Número de casos no 1º semestre de 2016 na RMC: 112 casos
Barbalha – 69
Juazeiro do Norte – 10
Caririaçu – 9
Farias Brito – 9
Crato – 8
Missão Velha – 3
Nova Olinda – 3
Santana do Cariri – 1
Jardim – 1

