
Um incêndio de grandes proporções atingiu ontem parte de um prédio onde havia um ferro velho e uma ocupação com aproximadamente 120 famílias sem-teto no Jabaquara, zona sul de São Paulo, segundo a Defesa Civil Municipal. A Prefeitura de São Paulo cadastrou 52 famílias que perderam suas casa. Até a noite de ontem, as causas do incêndio não haviam sido detectadas.
Segundo a Defesa Civil, o prédio era uma antiga fábrica abandonada e já foi invadido várias vezes. O Corpo de Bombeiros conseguiu controlar o fogo, mas ainda havia fumaça e pequenos focos.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegou a interditar o tráfego pela manhã, mas a rua já estava liberada no início da tarde. O chefe de gabinete da Subprefeitura de Jabaquara, Wander Geraldo da Silva, disse que as famílias que não tiverem para onde ir serão alojadas em albergues no centro de São Paulo. A Secretaria de Assistência Social concluiu o cadastramento por volta das 14h30min. As famílias desalojadas moravam em um grande galpão, que era distribuído por divisórias.
O que acelerou o fogo, segundo Silva, foi a quantidade de material reciclável que estava depositado no local. Parte das famílias vive catando materiais nas ruas da zona sul. “Havia ligações elétricas clandestinas e muito papelão. Ainda não temos o laudo do Corpo de Bombeiros para apontar a origem do fogo”, disse.
Aos prantos, a faxineira Antonia Santana, 40, reclamava da falta de assistência. Viúva, é mãe de dois filhos. Não tinha para onde ir. “Não moro aqui porque quero. Só queria ter direito a uma vida digna, mas nesse país só vive quem tem dinheiro, não tenho dinheiro, perdi tudo”, disse.
Antonia morava no local havia cinco anos e diz que jamais foi cadastrada em programas de habitação social.
A catadora Francisca Rodrigues da Silva, 58, morava em um espaço com os três netos. Chorando, disse que iria para casa de um filho. “Cato papel, até o papel eu perdi”, lamentou.
No local havia quatro anos, Maria Aparecida da Silva, estava desesperada. Na última sexta-feira, havia contraído uma dívida de cerca de R$ 1.000. “O que eu tinha para vender e pagar o homem eu perdi. Não sei o que fazer.”
O marido de Maria, Francisco Rodrigues da Silva, 78, estava revoltado. “Foi um homem que brigou com a mulher e pôs fogo. Agora tem gente querendo invadir onde eu morava. Cadê o Estado?”.
O Povo

