O Escritório Nacional de Processos Eleitorais encerrou a apuração de votos mais de um mês depois do pleito

Conselho Nacional Eleitoral (JNE, na sigla em espanhol) do Peru confirmou neste domingo (17) que Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputarão o segundo turno da eleição presidencial. O resultado final foi anunciado mais de um mês depois do pleito.
A filha do ex-presidente Alberto Fujimori venceu o primeiro turno com 17,1% dos votos, seguida por Sánchez, com 12%. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) concluiu neste domingo a apuração oficial das eleições de 12 de abril.
O ultraconservador Rafael López Aliaga, com 11,9%, ficou em terceiro lugar. Sánchez o superou por apenas 21.209 votos.
O primeiro turno foi marcado por atrasos na entrega de material eleitoral em Lima, o que obrigou as autoridades a prolongarem a votação em alguns centros no dia seguinte.
Apesar de apontar “graves deficiências”, a missão de observação eleitoral da União Europeia (UE) concedeu à eleição peruana uma aprovação plena.
“Hoje estão em risco a estabilidade econômica, a democracia, a liberdade para empreender e para trabalhar (…) convoco vocês a transformar o medo e a decepção em ação e em esperança”, disse Keiko Fujimori à imprensa após o anúncio do JNE.
López Aliaga recusou-se a reconhecer os resultados. “Impugnaremos imediatamente este grave crime de traição à pátria. Não aceitaremos resultados que são produto de fraude e corrupção”, escreveu o ex-prefeito de Lima em sua conta no X (ex-Twitter).
A campanha para o segundo turno deve ser polarizada, com um cenário muito similar ao da eleição de 2021, entre Keiko Fujimori e o ex-presidente Pedro Castillo, destituído em dezembro de 2022.
Esta é a quarta vez que Keiko Fujimori, 50 anos, disputa a presidência.
Sánchez, de 57 anos e ex-ministro de Castillo, está em sua primeira campanha pela presidência.
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputarão a presidência em meio a uma grave instabilidade política: o Peru teve oito presidentes desde 2016. A maioria foi destituída ou renunciou antes de enfrentar o mesmo destino por denúncias de corrupção.
Sánchez inicia a campanha para o segundo turno com vários problemas na Justiça. O Ministério Público pediu cinco anos e quatro meses de prisão para o candidato por supostamente ter apresentado declarações falsas ao organismo eleitoral sobre doações em outras campanhas, de 2018 a 2020.
O Peru também enfrenta uma grave crise de segurança com o avanço do crime organizado.

