Um registro obtido pela Polícia Federal revelou um plano alternativo para vender o Banco Master em negociações realizadas no início de 2025, antes do Banco Regional de Brasília (BRB) formalizar sua proposta. O documento detalha que o BTG Pactual cogitava assumir a administração do Master por um valor simbólico, contando com participação ativa do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) nas tratativas, revelou o portal UOL.
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De acordo com fontes próximas à negociação, o projeto foi desenvolvido em conjunto entre Master e BTG Pactual. No desenho, caberia ao BRB assumir o chamado “bad bank“, estrutura dedicada a receber ativos problemáticos para viabilizar a recuperação da instituição. Apesar do planejamento, Daniel Vorcaro preferiu rejeitar a alternativa e optou pela venda integral do Master ao BRB, cuja proposta foi anunciada em 31 de março.
Mesmo depois de abandonar o plano, Vorcaro encaminhou o roteiro do chamado “plano de salvação” em 10 de abril a Augusto Lima, ex-sócio do banco e articulador no Banco Central.
Detalhes do “plano de salvação” e o papel do FGC
O plano previa cisão parcial do Master, destinando ativos avaliados em R$ 43,5 bilhões, com passivos de R$ 33 bilhões, ao Banco Master de Investimento (BMI). O FGC compraria, por valor simbólico, uma opção de 100% do BMI e aportaria R$ 5 bilhões para honrar títulos de CDB. Em seguida, transferiria a opção ao BTG, também por valor simbólico.
Pelo acordo, o BTG Pactual assumiria a gestão do BMI, recebendo taxa anual de 1,25% sobre o valor contábil dos ativos, o que poderia chegar a R$ 544 milhões por ano. Todas as despesas de recuperação seriam ressarcidas pelo FGC. Além disso, eventuais contingências do BMI ou do BTG, oriundas de sociedades do grupo Master, seriam reembolsadas pelo FGC.
O BTG Pactual não se tornaria proprietário do BMI, mas apenas gestor, o que evitaria exposição direta às perdas do Master em seus balanços. A intenção era permitir que o BTG conduzisse a operação para amenizar o impacto da crise do banco controlado por Vorcaro.
Liquidez do Banco Master
O documento também indica que Vorcaro garantiria a venda ao BTG com patrimônio líquido de R$ 10,5 bilhões, formado por R$ 2 bilhões em caixa provenientes do negócio com o BRB e R$ 8,5 bilhões em precatórios. No entanto, a investigação aponta que esses direitos têm liquidez incerta, sugerindo que o Master possuía pouco patrimônio real.
Os precatórios, na verdade, eram direitos creditórios ainda não reconhecidos pela Justiça, o que elevava o grau de incerteza sobre a real situação financeira do banco. Esses valores, chamados de “pré-precatórios”, não contavam com a emissão judicial formalizada.
Uma condição central do plano era a revisão das regras do FGC, já que o fundo atuaria como co-investidor, e não apenas como garantidor. Para isso, seria necessária aprovação unânime dos bancos S1, principais financiadores do FGC, que demonstravam resistência à ideia por causa dos custos.
No dia seguinte ao envio do plano, em 11 de abril de 2025, Daniel Vorcaro e Augusto Lima se reuniram com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em Brasília. Embora Lima tenha deixado o Master em maio de 2024, ele continuou participando de reuniões com a autarquia ao longo de 2025.
Na ocasião, a principal demanda era buscar sinalização positiva do Banco Central para a venda ao BRB, mas a proposta do BTG não chegou a ser tratada no encontro, de acordo com fontes consultadas pelo portal UOL.
Leia também: “Os tentáculos do Master”, artigo de Carlo Cauti na Edição 305 da Revista Oeste

