Procurador pede investigação da PF e ameaça criação do Solidariedade

Paulinho da Força articula criação do Solidariedade (Foto: ANTÔNIO CRUZ/ABR)

Alterando pareceres anteriores que opinavam favoravelmente à criação do Solidariedade, o Ministério Público Eleitoral pediu ontem que a Polícia Federal abra inquérito para apurar as suspeitas de fraudes nos recolhimentos de assinaturas de apoio à criação do partido do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.

O novo vice-procurador-geral Eleitoral, Eugênio Aragão, enviou à Justiça Eleitoral argumento de que as suspeitas “podem demonstrar a ocorrência de fraudes em massa no Estado de São Paulo, circunstância que poderia comprometer, irremediavelmente, o registro do partido”.

À reportagem Aragão afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não pode julgar o pedido de registro do Solidariedade até que as investigações sejam feitas. O partido precisa ter o seu pedido aprovado até a semana que vem para que possa participar das eleições de 2014.

“Minha posição é a de que há fatos muito graves que são, hoje, impeditivos para que se aprove o pedido de registro do partido”, disse Aragão.

Ele assumiu há alguns dias o cargo, após ser indicado pelo novo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Antes, dois pareceres do Ministério Público haviam opinado pela aprovação do Solidariedade, posição que Aragão não ratificou.

Entre as suspeitas que pesam contra o partido de Paulo Pereira estão a de que o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal (Sindilegis) tenha fornecido a aliados do deputado, ilegalmente, a base de dados de seus cerca de 11 mil filiados para que seus nomes fossem inseridos como apoiadores do Solidariedade, caso já investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

Além disso, há suspeita de fraude no recolhimento de assinaturas em cartórios de Suzano, Várzea Paulista e Osasco, em São Paulo.

Aragão argumenta ainda haver também suspeita de “indevida utilização de estrutura sindical”, no caso, a Força Sindical, em benefício do partido.

A defesa do Solidariedade argumenta que o processo não pode ser suspenso com base em apurações sobre apoios que nem chegaram a entrar na contabilidade das mais de 500 mil assinaturas de apoio certificadas pelos cartórios e entregues ao TSE. A lei exige o apoio de pelo menos 492 mil eleitores.

O Povo

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