FORTALEZA: 46% dos estudantes da rede estadual estão no ano errado

No ensino fundamental a situação é parecida, 25.716 dos 73.580 alunos matriculados estavam atrasados. Em Fortaleza, dos 70.703 alunos matriculados na rede estadual, 32.709 não estavam na idade certa (46,3%) (Foto: Jl Rosa/Diário do Nordeste)

Distorção e abandono são dois importantes indicadores para medir a eficiência do sistema de ensino na rede pública. No Ceará, no entanto, os dados não são nada animadores. De acordo com a Secretaria de Educação do Ceará (Seduc), 117.112 dos 323.356 alunos matriculados no ensino médio não estavam, em 2012, no ano correto (36,2%). No ensino fundamental a situação é parecida, 25.716 dos 73.580 alunos matriculados estavam atrasados. Em Fortaleza, o índice é ainda mais alarmante. Dos 70.703 alunos matriculados na rede estadual, 32.709 não estavam na idade certa (46,3%).

Liderando o ranking dos municípios cearenses com piores índices de distorção está Itaitinga, com 56,5%. Em seguida: Aquiraz (51,6%), Icapuí (48,1%), Pacatuba (47,8%), Ipaumirim (46,7%), Tamboril (43,6%), Baixio (46,2%), Hidrolândia (46,2%), Morava Nova (43,6%) e Santana do Acaraú (43,3%).

O presidente do Sindicato dos Professores e Servidores da Educação e Cultura do Estado e Municípios do Ceará (Apeoc), Anísio Melo, comenta que o ser humano tem as faixas ideais para maturarem o processo natural de educação. Portanto, o jovem que não teve a garantia desse ensino na faixa ideal possui vários prejuízos: cognitivos, emocionais e no processo natural de aprendizagem. “Ele precisará ter uma atenção especial no processo educacional. É uma política de identificação que tem que ter uma série de medidas para fazer a correção de uma criança e jovem que não teve garantida a sua inclusão no momento certo de ensino aprendizagem”.

Abandono

O alto índice de abandono da escola é outro dado que chama atenção. Na rede estadual de ensino, 38.093 dos 343.246 alunos matriculados no ensino médio abandonaram a escola (11,1%) no ano passado. Na rede privada, esse índice é de 0,4% – 201, dos 44.358 inscritos. O número de reprovações também é considerado alto. Dos 343.246 alunos matriculados na rede estadual, 24.291 (7,1%) reprovaram.

Para o mestre em Educação Marco Aurélio de Patrício Ribeiro, os números retratam bem a realidade da Educação no Estado. “Podemos ver que, no Brasil, de maneira geral, conseguimos criar vagas para todos os estudantes estarem na escola, ou seja, resolvemos o problema do acesso à Educação, mas ainda estamos longe de solucionar o problema da permanência dos estudantes na escola”, afirma.

O especialista ressalta que é preciso ter na reprovação e no abandono índices próximos de zero, sendo “aceitável” abandonos inferiores a 0,5% e reprovações inferiores a 3%. “A melhoria na qualidade do ensino e uma valorização da carreira do professor são fundamentais para mudarmos este quadro”, diz.

Anísio Melo acrescenta que muitos alunos têm que abandonar a escola para garantir algum tipo de sustento. Outro ponto que contribui para o alto índice de evasão é falta de atrativo da escola, que precisa de melhor estrutura e de uma educação integrada, para que o estudante possa permanecer o durante o dia todo. Além disso, é necessário haver uma maior valorização dos profissionais da Educação.

“A escola pública tem que ser mais atraente, melhor estruturada fisicamente e com mais valorização dos profissionais. Para isso, entendemos que é necessário garantir mais recursos. Precisamos enfrentar esse desafio para sanar, de vez, a evasão e a repetência para garantir a educação como prioridade enquanto política pública. Não há mais tempo a perder”, alerta.

A titular da Secretaria de Educação do Ceará (Seduc), Izolda Cela, esclarece que a distorção é o tipo de problema que não se resolve por decreto, de forma imediata, pois é resultado de um problema que começa na entrada do ensino fundamental e, ao longo da atenção básica, se agrava. A gestora explica que a entrada tardia, depois dos 7 anos, e a reprovação, fazendo com que o aluno permaneça muitos anos na mesma série, são fatores que contribuem para que haja esse alto índice de alunos atrasados.

Diário do Nordeste

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