Temperatura chega a 36° no Ceará e alerta pesquisadores

O cenário apresentado durante encontro é de pessimismo devido ao aumento de 2° a 4° na temperatura do Nordeste, além da redução de chuvas em torno de 16% a 20% previstas para o próximo intervalo de 50 a 100 anos (FOTO: ALEX COSTA/DIÁRIO DO NORDESTE)

Com temperatura média que varia entre 30° e 36º, o Ceará vive uma situação de anomalia climática por conta da falta de chuva. Essa avaliação é da gerente do Núcleo de Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Meiry Sakamoto.

A gestora esteve na reunião dos secretários de Saúde dos Estados do Nordeste, realizada ontem em Fortaleza, onde apresentou o quadro da seca no Estado. Durante a exposição, ela mostrou as projeções do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo, que elaborou um sumário de mudanças de clima para o Brasil até o fim do século XXI e dos seus impactos para cenários de altas emissões.

Entre as previsões apresentadas para o Nordeste, no que concerne à mudança de clima, estão – dentro de um cenário pessimista – o aumento de 2° a 4° na temperatura da região e uma redução de chuvas de 16% a 20% previstas para daqui a 50 a 100 anos. Isso acarretaria níveis mais baixos de rios e redução da energia hidrelétrica.

O estudo casou com a apresentação da comissão do Estado do Piauí, que falava também sobre as mudanças climáticas no Nordeste, baseada em pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Eles apontaram severos impactos econômicos, sociais, ambientais e demográficos.

Dentre eles, estava a projeção para daqui a 50 anos, com uma região de solos mais pobres e vegetação com menor diversidade biológica. Além de uma redução média de 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

A migração também foi colocada em questão, porém, não para outras regiões do País, mas, sim, de locais mais carentes para os grandes centros urbanos do Nordeste. O que, consequentemente, acarretaria mais gastos com a saúde.

Monitoramento

Estudos das mudanças globais apontam como um dos principais problemas a crise da água em escala global. As atividades sócio-econômicas no Brasil são extremamente dependentes dos recursos hídricos e, portanto, vulneráveis às mudanças climáticas, principalmente no que se refere aos extremos climáticos – secas e chuvas intensas.

Mais de 90% da matriz energética brasileira provém da hidro-energia, com previsão de expandir sua capacidade de geração e, aproximadamente 50% da água consumida destina-se à produção de grãos e carne.

O Grupo de Hidrologia e Desastres Naturais do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais desenvolve estudos dos impactos das Mudanças Globais na resposta hidrológica de bacias brasileiras no âmbito dos programas Rede Clima.

Estes estudos contemplam a análise da variabilidade da resposta hidrológica em períodos de extremos climáticos e de seus impactos nos sistemas ambiental e socioeconômico. São também realizadas projeções futuras da resposta hidrológica sob o ação das mudanças globais, envolvendo análise da vulnerabilidade do sistema à ocorrência de desastres naturais

Diário do Nordeste

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