Futuro papa nos acolherá de volta, diz padre de grupo ultratradicionalista excomungado por Leão 14

Um padre do grupo católico ultratradicionalista dissidente que foi excomungado na última semana disse aos fiéis, neste domingo (5), que o vertente separatista deve ser acolhida de volta à Igreja sob um papa diferente no futuro.

A Fraternidade São Pio 10º foi excomungada após quatro bispos serem ordenados sem a aprovação do papa Leão 14 na quarta-feira (1º). O grupo não demonstrou arrependimento pelo cisma com Roma, afirmando que o pontífice não ouviu suas preocupações.

O grupo consagrou como bispos o suíço Pascal Schreiber, o americano Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, durante cerimônia em Ecône, no oeste da Suíça.

“Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos acolherá de volta. Assim como o papa Bento”, disse Georg Kopf em uma missa realizada na cidade suíça de Wil, no nordeste do país, em referência a Bento 16.

Fundado em 1970, o grupo —que tem sede na Suíça, mas possui seguidores em todo o mundo, inclusive no Brasil— acusa a Igreja de se afastar da verdadeira fé. Pratica a antiga missa em latim e não acredita no diálogo formal com não católicos.

O grupo já enfrentou uma ruptura com o Vaticano antes. No final dos anos 1980, seu fundador Marcel Lefebvre consagrou quatro bispos sem a aprovação do papa João Paulo 2º, levando os envolvidos a serem excomungados.

Eles foram acolhidos de volta em 2009, quando o papa Bento 16 buscou a unificação ao revogar a sentença.

“Estou convicto de que haverá outro papa como ele que dará à tradição seu devido lugar novamente. É claro que gostaríamos que isso acontecesse amanhã”, acrescentou Kopf.

O Vaticano disse que o diálogo foi oferecido ao grupo antes do cisma e que o ato de ordenar bispos sem aprovação da Igreja foi considerado tão grave que a excomunhão foi automática.

“Nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de estabelecer uma igreja paralela ou romper com Roma”, disse Kopf em seu sermão proferido em alemão.

“Pelo contrário, foi precisamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas, a fim de cuidar da salvação das almas.”

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