
Os médicos cirurgiões da Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza, paralisaram por tempo indeterminado as atividades por causa de atraso no repasse de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde ontem, cirurgias eletivas não são mais realizadas e o atendimento do ambulatório foi reduzido. A única exceção é o atendimento a pacientes com câncer. Cirurgias oncológicas de emergência não foram canceladas. A decisão foi tomada em assembleia da categoria na última segunda-feira, 8.
De acordo com Tarcísio Dias, diretor do Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (Simec), a Prefeitura de Fortaleza não repassou os valores referentes ao mês de novembro do ano passado. O POVO publicou a informação na edição da última terça-feira, 9.
Os grevistas reivindicam ainda o reajuste na tabela do SUS referentes a cirurgias. “Muitos procedimentos há mais de 15 anos não recebem reajuste”, diz Tarcísio Dias. Estima-se que cerca de 60% do atendimento do SUS sejam feitos por hospitais filantrópicos, conforme o diretor do Simec. A Santa Casa realiza, em média, 40 cirurgias diárias pelo SUS. “É a unidade que mais atende cirurgias eletivas em Fortaleza, mas falta financiamento do Governo Federal”, diz Dias.
A agricultora Raimunda Bezerra saiu de Apuiarés, a 128 quilômetros da Capital, para marcar a cirurgia do marido. Ficou surpresa com a paralisação ontem. “Meu medo é que os exames vençam e a cirurgia não seja marcada”. Já a dona de casa Marcilene Sousa levou ao hospital o pai, Antônio de Lima. Os dois são de Senador Pompeu, a 275 quilômetros de Fortaleza. “Se o médico não vinha, era para ter avisado”.
Sem repasse
O vice-provedor da Santa Casa, João Paulo Accioly, aponta que as reivindicações dos grevistas não são de competência do hospital. “Quem define reajuste é o Governo Federal. A Santa Casa só repassa o que recebe, e a Prefeitura não nos repassou”. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS) diz não ter efetivado o pagamento “porque o repasse financeiro do Ministério da Saúde correspondente ao valor foi antecipado para dezembro, e a gestão anterior utilizou a verba para outros fins”. Segundo a secretaria, “as pendências financeiras com a Santa Casa e demais prestadores de serviços já estão sendo negociadas com a SMS.”
O Povo

