Previdência de Maceió direcionou investimentos de alto risco no Master

A investigação da Polícia Federal sobre os investimentos do fundo de previdência municipal da prefeitura de Maceió no Banco Master apontou que pode ter havido direcionamento das aplicações e “exposição desproporcional” dos recursos em papéis de alto risco e de liquidez reduzida. Essa é uma das constatações que levaram à deflagração da Operação Compliance 82, na manhã desta segunda-feira (10), nos estados e Alagoas e São Paulo.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um desdobramento da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraude financeira cometida pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro através do Master. Ao todo, aponta a investigação, foram alocados R$ 97 milhões na instituição liquidada pelo Banco Central.

“O processo decisório [das aplicações] foi conduzido com supressão de etapas essenciais de governança, ausência de estudos comparativos independentes e aceitação de propostas apresentadas pela própria instituição financeira beneficiada. O quadro indicaria, em juízo indiciário, possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida”, escreveu Mendonça na decisão que a Gazeta do Povo teve acesso.

Em uma nota à imprensa, a Maceió Previdência afirmou que “os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e destaca que seu patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, garantindo a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas” (veja na íntegra mais abaixo).