Líder do Irã convoca países contra EUA e Israel

O novo líder supremo do Irã, Sayyid Mojtaba Khamenei, convocou os países islâmicos a se unirem com a nação persa para estabelecer uma nova ordem no Oriente Médio. A proposta defende a eliminação da presença militar dos Estados Unidos (EUA) e o fim do Estado de Israel.

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A declaração foi publicada em uma carta nesta terça-feira, 26. O texto foi direcionado aos muçulmanos que participam da peregrinação anual a Meca, na Arábia Saudita, evento que reúne mais de 1,5 milhão de pessoas.

Apelo à comunidade global islâmica

Na mensagem divulgada no segundo dia da Hajj — a viagem sagrada que os muçulmanos adultos devem fazer ao menos uma vez na vida —, Khamenei disse que a comunidade global islâmica possui interesses comuns capazes de moldar o futuro da região. O líder pediu que os peregrinos iranianos transmitam a mensagem de “vitória” do Irã contra as investidas de Washington e Tel-Aviv.

O líder afirmou que os países da região não vão mais abrigar bases militares norte-americanas. Segundo Khamenei, os EUA estão perdendo o antigo status geopolítico e não terão refúgio seguro para suas operações na área.

Negociações entre Irã e EUA

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou na última segunda-feira, 25, que Teerã avançou nas conversas com os Estados Unidos. Segundo trechos de entrevista coletiva divulgada pela agência estatal Fars, o diplomata declarou que o país chegou a “entendimentos sobre uma grande parte das questões discutidas”. No entanto, ele negou que a assinatura de um acordo para encerrar a guerra seja “iminente”.

O porta-voz declarou que o Irã prioriza outras pautas no momento. Ele afirmou que o país não responderá a todas as publicações de Washington na internet. “Temos assuntos muito mais importantes”, afirmou. “Se ficarmos respondendo a tuítes e imagens do outro lado, não conseguiremos realizar essas tarefas. Estamos focados em projetar e desenvolver as melhores formas de proteger os interesses nacionais iranianos.”

O diplomata justificou que Teerã adotará critérios próprios para se manifestar. “Temos nosso próprio método, e não imitaremos o estilo e os métodos do inimigo”, disse. “Como uma nação civilizada e forte, responderemos ao inimigo quando necessário, como fizemos anteriormente”, disse.

No mesmo dia, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que pretende transformar um eventual acordo com Teerã em uma ampla reconfiguração diplomática no Oriente Médio.

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Em publicação na rede Truth Social, Trump defendeu a ideia de que todos os países envolvidos nas conversas assinem obrigatoriamente os Acordos de Abraão, numa tentativa de ampliar a normalização entre Israel e países islâmicos e, ao mesmo tempo, incorporar o próprio Irã ao arranjo regional.

A exigência, segundo Trump, foi direcionada principalmente a Arábia Saudita, Catar, Turquia e Paquistão. O presidente norte-americano observou que os demais países ligados às negociações já fazem parte dos Acordos de Abraão. “Deveria ser obrigatório que todos esses países, no mínimo, assinassem simultaneamente os Acordos de Abraão.”

O presidente norte-americano surpreendeu ao cogitar a inclusão futura do Irã — adversário histórico de Israel e de Washington — no tratado. Trump afirmou que a adesão de Teerã honraria os países envolvidos nas negociações. “Eles se sentiriam honrados em ter a República Islâmica do Irã como parte dos Acordos de Abraão assim que assinarmos o nosso documento”, declarou. “Uau, isso seria algo especial.”

Israel não comenta declaração de Trump sobre o Irã

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não comentou a declaração, assim como os governos citados pelo presidente norte-americano. Trump admitiu que “um ou dois” países poderiam ter razões para não aderir ao pacto, mas afirmou acreditar que a maioria estaria pronta para transformar um eventual entendimento com o Irã em um acontecimento “muito mais histórico”.

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Com mediação dos EUA, os Acordos de Abraão normalizaram as relações bilaterais de Israel com os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, em 15 de setembro de 2020. O entendimento entre os países marcou a primeira vez que Israel estabeleceu laços diplomáticos com uma nação árabe desde o tratado de paz com a Jordânia, em 1994.

No rastro desses Acordos de Abraão, em outubro de 2020, Israel e Sudão, conhecido por patrocinar grupos terroristas, anunciaram que iriam estabelecer relações diplomáticas.

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