
FOTO: ALCIDES FREIRE
O que começou como uma manifestação estudantil terminou em confusão. A Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza, foi invadida, durante a manhã de ontem, por aproximadamente 400 estudantes e representantes de escolas públicas, durante uma reunião entre os presidentes do conselho estudantil e o reitor Jesualdo Farias, na qual discutia o percentual de pessoas que devem entrar na UFC por meio da Lei de Cotas, sancionada, neste ano, pela União.
De acordo com o Diário do Nordeste, os manifestantes quebraram portas, vidros, quadros, lixeiras, janelas e persianas. A UFC informou, em coletiva, na tarde de ontem, que encaminhou o caso à Polícia Federal para que os responsáveis pelo ato sejam punidos.
Ainda durante a ação, os funcionários permaneceram trancados dentro do prédio, e o reitor Jesualdo Farias chamou uma equipe do Ronda do Quarteirão na tentativa de manter a segurança. Segundo informações dos servidores, os alunos também tentaram quebrar computadores e levar notebooks e telefones. Os estudantes se manifestaram com o objetivo de que percentual de 50% das vagas de graduação reservado pela Lei de Cotas seja implementado na UFC já em 2013. Conforme a norma, as universidades federais do País têm até 2016 para chegar ao índice de 50%.
Durante coletiva, Jesualdo Farias explicou que, por uma questão de responsabilidade, propôs a aplicação de 12,5% da vagas em cada um dos cursos de graduação da UFC para os cotistas em 2013, o que representa um total de 789 estudantes.
O reitor falou, ainda, sobre o desejo de que 80% desses estudantes (632 das 789 vagas) sejam escolhidos pelo critério econômico, ou seja, possuam renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio. “Atualmente, temos um problema operacional que deve ser resolvido pelo Ministério da Educação, já que a regra é que somente 50% dos cotistas entrem pelo critério econômico. Contudo, queremos alterar a regra porque a lei permite e porque queremos beneficiar estudantes de baixa renda”.
A partir do ingresso desses estudantes, a UFC irá avaliar o impacto da permanência dos alunos na instituição, o que diz respeito ao auxílio moradia, restaurante universitário, biblioteca e assistência estudantil como um todo. “Não estamos separando somente 12,5% das vagas porque somos contra o sistema de cotas, mas, sim, porque estamos cientes da responsabilidade de proporcionar as condições necessárias para esses alunos estudarem”, explica o reitor.

