Wellington Camargo diz ainda ter ‘pesadelo’ 15 anos após sequestro

Sequestro Wellington Camargo
Internado após ser libertado pelos sequestradores, Wellington aparece na janela de hospital com os irmãos Zezé Di Camargo e Luciano, em março de 1999 (Foto: Weimer Carvalho/ O Popular)

Há exatamente 15 anos, o cantor gospel Wellington Camargo, de 42 anos, passava pelo maior trauma de sua vida ao ser sequestrado em Goiânia. Para ele, mesmo após tanto tempo, o sequestro “parece que foi ontem”. O irmão da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano confessa que os dias de cativeiro não saem da sua memória. “Até hoje eu tenho pesadelo com isso. Por incrível que pareça, ainda sonho que estou sendo sequestrado”, afirmou em entrevista ao G1.

Vítima de uma poliomielite aos 2 anos, Wellington é cadeirante. Ele conta que sua vida mudou mesmo depois do drama que viveu ao ser levado por quatro homens armados, na noite de 16 de dezembro de 1998. O cantor, que teve até metade de uma orelha cortada pelos sequestradores, acredita que superou a maior parte dos traumas, mas reconhece que ficaram sequelas, inclusive em relação à sua saúde, já que passou a ter distúrbio do sono. “Eu só durmo com calmante”, revela.

Outro problema é em relação a lugares e situações que o fazem lembrar dos 94 dias que esteve em cativeiro, em uma chácara a 27 quilômetros de Goiânia. “O barulho de porta fechando me lembra o de quando os sequestradores fechavam a porta. Esses dias eu estava em um hotel simples no interior e o quarto parecia o que fiquei preso. Tive de sair e mudar de quarto”, recorda-se.

Após o sequestro, o cantor diz que não anda mais sozinho. “Sempre tem uma pessoa do meu lado. Durante alguns anos, tive medo [de sair de casa], mas aprendi a não ter. Só evito sair à noite. A minha vida é diurna. Tenho medo é da violência urbana, a que qualquer pessoa está sujeita”.

Pior momento
No período em que ficou sequestrado, Wellington conta que sofreu agressões verbais e físicas. “Eles me davam tapas na cabeça. Agrediam porque perguntavam coisas da minha família e eu me negava a responder”.

No decorrer das negociações, os criminosos reduziram o valor pedido inicialmente no resgate de US$ 5 milhões para US$ 300 mil. O dinheiro foi pago em 20 de março de 1999. Wellington diz que neste dia passou a situação mais desesperadora, maior até mesmo do que quando ele teve parte da orelha esquerda cortada como prova de que estava vivo, uma semana antes.

“O pior momento foi pouco antes de eu ser libertado porque não sabia o que estava acontecendo. Não sabia se ia ser solto ou se ia ser assassinado. Eu era um passaporte pra eles. E ouvi que eles já estavam com o dinheiro”, lembra. No entanto, ele garante que nunca teve medo de morrer: “Eu tive cisma. Na morte, nunca acreditei. Sempre acreditei muito em Deus”.

Wellington lembra que reimplantou a região da orelha que foi cortada pelos sequestradores. Após passar por seis procedimentos cirúrgicos, a situação, segundo ele, está normal.

Mesmo com toda a pressão psicológica sofrida, o cantor diz que não fez tratamento psicológico. “Não deu tempo. Talvez seja esse o problema”, explica.

G1 GO

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