O senador Jaques Wagner (PT-BA) desdenhou nesta quinta-feira (18) da nona fase da Compliance Zero, operação que realizou busca e apreensão em endereços que lhe pertencem. Wagner afirmou que também foi alvo de uma operação semelhante em 2018 e acabou como o senador “mais votado” pela Bahia naquele ano. Ele também avaliou que deve seguir como líder do governo Lula no Senado.
“A Bahia é terra de muro baixo. (…) Minha candidatura se mantém. Em 2018, quando eu também fui candidato ao Senado, teve uma busca e apreensão em minha casa, mantive minha candidatura e fui o senador mais votado na história da Bahia”, lembrou, em entrevista à Band.
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Wagner se referia à Operação Cartão Vermelho, que investigou possíveis irregularidades em contratos envolvendo o Estádio Arena Fonte Nova, em Salvador, com superfaturamentos que poderiam chegar a R$ 82 milhões em obras da Copa de 2014. O senador foi indiciado, mas o processo acabou arquivado por falta de provas em 2025.
Na época, a então presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), se queixou de abuso e perseguição do poder judiciário, dizendo que “a sociedade brasileira está cada vez mais consciente de que setores do sistema judicial abusam da autoridade para tentar criminalizar o PT”.
Curiosamente, foi justamente em 2018 que o atual ministro da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa, promoveu a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo.
O negócio foi arrematado depois pelo banqueiro Augusto Lima. Mais tarde, Lima deixou o Master e levou consigo o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores e aposentados integrado no pacote do leilão da Ebal, evento que é considerado uma espécie de embrião do escândalo do banco Master.
Operação de hoje
A PF colocou nesta quinta Jaques Wagner e seus familiares entre os alvos das investigações sobre o suposto esquema bilionário de fraudes financeiras atribuído ao empresário Daniel Vorcaro. A ofensiva também mirou o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, que seria o intermediário da relação do Master com Jaques Wagner.
Foram realizados 18 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Entre as diligências houve busca em endereços pessoais de Wagner, em Salvador, e de familiares.
A suspeita é de que o ex-governador baiano possa ter recebido vantagens da relação com o Master que incluiriam um apartamento de luxo, repasses de aproximadamente R$ 3 milhões por meio de empresa ligada a familiares de Wagner, além de caronas em jatinhos de Vorcaro. Os benefícios incluiriam até mesmo um ingresso para o show da cantora pop Taylor Swift, em Los Angeles, no valor total de R$ 61 mil.
Relação com Lula
Wagner disse que recebeu nesta quinta-feira uma ligação de solidariedade do presidente Lula e afirmou que considera baixa a possibilidade de deixar o cargo de líder do governo no Senado pela relação antiga e profunda que tem com o presidente.
“Lula teve problema mais grave, foi preso e depois solto e acabou presidente de novo”, resumiu.


