UE recebe representantes do Talibã em reunião sobre migração

A União Europeia (UE) recebeu representantes do Talibã, grupo terrorista que voltou ao poder no Afeganistão em 2021, para uma reunião sobre migração e questões consulares. A delegação afegã foi liderada por Abdu Qahar Balkhi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do grupo.

O encontro ocorreu em Bruxelas e reuniu representantes de 15 Estados-Membros da UE. Segundo o bloco, as conversas trataram principalmente da repatriação de migrantes irregulares, especialmente pessoas consideradas ameaça à segurança ou condenadas por crimes.

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Líder do Talibã Hibatullah Akhundzada | Foto: Reprodução/Flickr

Desde 2013, quase um milhão de afegãos apresentaram pedidos de asilo na União Europeia. Cerca de metade recebeu resposta positiva.

A iniciativa ocorre em meio a uma pressão de países europeus por regras migratórias mais rígidas e pela aceleração de processos de deportação. Autoridades da União Europeia afirmam que a baixa taxa de retorno de migrantes afegãos representa um desafio para os Estados-Membros.

O encontro provocou críticas de organizações de direitos humanos, parlamentares europeus e outras figuras públicas. Eles avaliam que o diálogo pode representar uma aproximação com o regime talibã e uma possível legitimação gradual do grupo terrorista.

Os críticos também destacam preocupações relacionadas às restrições impostas pelo Talibã aos direitos fundamentais no Afeganistão, especialmente em relação a mulheres e meninas.

A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, classificou a iniciativa como “preocupante” e afirmou que as pessoas poderiam interpretar a reunião como apoio ao regime acusado de violações de direitos humanos.

Bruxelas afirma que o contato com representantes do Talibã não significa reconhecimento oficial do grupo. Mesmo assim, analistas e o público passaram a ver a realização do encontro na capital europeia como um sinal de mudança na postura da UE em relação às autoridades afegãs, em meio a questões migratórias e à crise humanitária no país.

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