Trump anuncia conclusão de acordo para desarmamento do Hamas em Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (30) que o chamado Conselho da Paz, grupo criado por ele e líderes de outros países para negociar um acordo definitivo ao fim do conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, chegou a um acordo para desarmamento da facção palestina.

Até as 20h40 (de Brasília), Israel não tinha se manifestado. À agência Reuters, funcionários do governo americano afirmaram que autoridades israelenses estavam céticas quanto ao fato de que a facção entregaria as armas.

Pouco após o anúncio de Trump, autoridades da facção palestina, sob anonimato, confirmaram à AFP a conclusão do acordo e afirmaram que apenas o comitê tecnocrático que deve governar Gaza em meio ao acordo contabilizar e apreender as armas do grupo.

“Este acordo é um passo fundamental para que Gaza finalmente seja governada por um novo governo palestino que trabalhará em estreita colaboração com o Conselho da Paz para ajudar o povo palestino. Ao mesmo tempo, Israel terá a segurança que merece, com Gaza deixando de ser usada como base para ataques terroristas”, escreveu Trump na rede Truth Social.

“Trata-se de um marco importante na implementação do Plano de 20 Pontos de Trump. O acordo será executado em fases cuidadosamente estruturadas. À medida que o desarmamento for concluído, as forças israelenses se retirarão, e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade de garantir que Gaza seja segura para seus moradores e seus vizinhos”, acrescentou o presidente americano.

Trump agradeceu ainda aos mediadores do pacto, Egito, Qatar e Turquia.

O desarmamento da facção palestina é um dos pontos mais complexos da negociação para o fim efetivo da guerra, hoje em um estado congelado que, no entanto, não significa o fim das escaramuças e de bombardeios de Israel no território conflagrado —centenas de palestinos morreram desde o dia 10 de outubro do ano passado, quando o cessar-fogo hoje em vigor foi anunciado.

O Hamas, embora tenha sinalizado aceitar se desarmar, não concordava que assim o fizesse antes de as forças do Estado judeu deixarem Gaza. Hoje, pouco mais de 50% do território está ocupado pelo Exército israelense, espremendo a já aglomerada população de Gaza em um espaço ainda menor e completamente destruído pelos dois anos de ataques aéreos e demolições.

Aos mediadores, o Hamas afirmara que não discutiria um eventual desarmamento sem garantias de que Israel deixaria Gaza completamente. No fim de abril, o grupo terrorista disse que estava disposto a entregar milhares de fuzis de sua força policial no território palestino.

Se confirmado o acordo nos moldes rascunhados por Trump no anúncio, terá havido alguma capitulação nesse ponto por parte da facção, cujas lideranças militares foram dizimadas por Israel. Resta saber a que o presidente americano se refere ao falar em fases “cuidadosamente estruturadas” e se as duas partes vão respeitá-las.

Sempre pairando sobre os temores da facção palestina estão as declarações de altas lideranças israelenses, que nunca riscam da lista a possibilidade de ocupar Gaza em definitivo.

Em maio, em meio ao impasse, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou em vídeo divulgado pela imprensa israelense que havia ordenado ao Exército o controle de 70% do território palestino. Esse controle expandido, contudo, não se concretizou.

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