A Venezuela enfrenta uma calamidade após dois terremotos ocorridos na sexta-feira, 26, que resultaram na morte de familiares do missionário Gabriel Orozco, que reside no Brasil. Ele destacou a falta de preparação do país para desastres naturais e a escassez de medicamentos e equipes de resgate, com a maioria dos salvamentos sendo realizados pela sociedade civil. Orozco criticou a ditadura de Nicolás Maduro, que, segundo ele, agravou a situação ao não restaurar infraestruturas.
A situação da Venezuela nesta sexta-feira, 26, ainda é de calamidade, depois de ser afetada por terremotos. Radicado no Brasil, o missionário Gabriel Orozco participou hoje do programa Oeste com Elas e detalhou a situação do país no momento.
“Nós, como família, perdemos dois tios ontem”, contou Orozco. “Não conseguiram sair do prédio, e ele caiu em cima deles. É a realidade de muitos venezuelanos.”
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Para o venezuelano, apesar do luto, o momento não é só de tristeza. Ele serve para uma reflexão sobre a história recente do país. “Se a Venezuela sabe que, de tempos em tempos, sofre terremotos, por que não está preparada?”, indagou.
Segundo ele, depois da catástrofe, a região sofre com a falta de medicamentos em hospitais e bombeiros para o resgate. “Tem famílias debaixo dos prédios pedindo ajuda”, contou Orozco. “Os venezuelanos que estão sendo resgatados, em sua maioria, são salvos pela sociedade civil.”
Crise na Venezuela é maior por legado de Maduro
O missionário afirmou que um elemento torna o momento particularmente difícil: a ditadura de Nicolás Maduro roubou tudo. “O socialismo na Venezuela tem 25 anos, com estruturas que não foram restauradas e prédios muito antigos”, relatou. “É uma tragédia natural que cresceu pela tragédia humanitária que nós venezuelanos enfrentamos.”
Ele ponderou: “Certamente, a tragédia não é culpa de uma ideologia política, mas as consequências para as pessoas que estão sofrendo é”. Apesar da captura de Maduro, Orozco afirma que o país ainda vive acuado pela ditadura. “Toda a estrutura criminal continua lá.”
O exemplo trazido ao programa pelo venezuelano é a discrepância entre os dados relatados no país e a versão divulgada pelo governo de Delcy Rodríguez, sucessora do ditador. A sociedade civil estima cerca de 40 mil desaparecidos, enquanto a ditadura trabalha com um número inferior a 200 pessoas. “É uma cidade inteira destruída”, comentou. “Eles não falam nunca a verdade, mesmo que o país esteja caindo.”
Gabriel Orozco aponta atraso no envio de ajuda humanitária do Brasil
Em certa passagem da entrevista ao Oeste com Elas, Orozco comentou o envio de ajuda humanitária pelo governo brasileiro. Marcado para ser enviado nesta sexta-feira, o reforço com insumos chega atrasado, na opinião dele.
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“El Salvador, que é um dos países mais pequenos da América Latina, já enviou três aviões com ajuda; e está chegando o quarto hoje”, compara. “E o Brasil vai enviar apenas hoje. A Colômbia, que é outro país socialista, ainda não se manifestou.”
Apesar do cenário caótico, o missionário ressalta a resiliência do próprio povo. “Tenho familiares médicos que estão atendendo lá mesmo os sem meios e equipamentos [adequados]“, disse. “A sociedade venezuelana está se mobiliando para ajudar nossos irmãos que estão sofrendo.”
E mais: “A ditadura sem ditador”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 304 da Revista Oeste

