O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira, 5, que não vê motivos para se encontrar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A declaração ocorre logo depois que o líder de Kiev publicou uma carta aberta com uma proposta de negociação presencial para encerrar o conflito.
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De acordo com informações da agência de notícias Reuters, Putin mudou a postura depois que o Kremlin chegou a sinalizar, inicialmente, uma abertura para o diálogo.
Putin aponta tom ‘grosseiro’ e descarta sinceridade
Na véspera da recusa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Zelensky poderia visitar Moscou “a qualquer momento”. No entanto, a avaliação mudou assim que Putin tomou conhecimento do teor exato do documento enviado pelo rival ucraniano.
“Esta carta contém algumas observações bastante grosseiras”, criticou o líder russo. “Seria uma forma de criar as condições para um encontro presencial ou uma forma de evitar esse encontro? Creio que foi a segunda opção.”
Nacionalistas russos também endossaram a rejeição ao manifesto. O grupo classificou a iniciativa de Zelensky como uma jogada maliciosa de relações públicas, desenhada para inflamar o ambiente político interno na Rússia, e não para cessar os combates.
Avanço militar e propostas de Donald Trump
Em conversa recente com jornalistas internacionais, Putin manteve uma posição intransigente sobre o conflito. O presidente russo assegurou que suas tropas avançam diariamente nas frentes de batalha.
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Apesar da firmeza, o mandatário acenou positivamente para os planos de paz específicos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Putin, o plano norte-americano pode encerrar as hostilidades, desde que Kiev aceite fazer concessões territoriais. Atualmente, os dois países em guerra se acusam mutuamente de travar as negociações.
O teor do manifesto de Zelensky
Na carta aberta divulgada nesta quinta-feira, 4, Zelensky atacou o histórico da política externa de Moscou nas últimas duas décadas. O líder ucraniano também listou os prejuízos econômicos acumulados e a perda de soldados russos no front.
“A escolha agora é sua. Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra. Isso deve ser feito com honestidade, dignidade e com garantias de que a guerra não será reacesa”, diz o trecho assinado por Zelensky.
O mandatário da Ucrânia sugeriu que o aperto de mãos ocorresse em um território neutro, fora de solo russo ou ucraniano. Ele citou locais tradicionais de mediação internacional, como a Suíça, a Turquia ou países do mundo árabe, sob a condição de um cessar-fogo total imediato.
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