Premiê do Líbano acusa Irã de usar país como ‘moeda de troca’

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, acusou o Irã de utilizar o sul do país como instrumento de pressão nas negociações com os Estados Unidos. A declaração foi feita nesta sexta-feira, 5, durante uma coletiva sobre ajuda humanitária.

Salam pediu que Teerã deixe de tratar o sul do Líbano e sua população como “mera moeda de troca” para obter vantagens diplomáticas. As críticas ocorrem em meio à escalada dos confrontos entre Israel e o Hezbollah.

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O presidente libanês, Joseph Aoun, também condenou a postura iraniana. Em entrevista à CNN, classificou como “inaceitável” qualquer interferência do Irã nos assuntos internos do país.

Aoun afirmou que o Hezbollah precisa aceitar uma solução negociada para encerrar o conflito e preservar a estabilidade do país.

Segundo ele, não há alternativa à diplomacia para resolver a crise. O presidente também acusou o Irã de usar o território libanês como ferramenta de barganha nas tratativas com Washington.

As declarações ampliam a pressão interna sobre o Hezbollah, principal aliado regional de Teerã.

Irã exige retirada de Israel do sul do Líbano

Pessoas caminham ao lado das arquibancadas com as bandeiras do Irã, Hezbollah e Líbano em uma rua em Teerã, – 7/10/2024 | Foto: Majid Asgaripour/WANA (Via Reuters)

Na quinta-feira, 4, o governo iraniano reafirmou apoio ao Hezbollah e voltou a exigir a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano.

Dias antes, autoridades iranianas condicionaram qualquer avanço nas negociações com os Estados Unidos à interrupção dos bombardeios israelenses em território libanês. O chanceler Abbas Araqchi afirmou que o conflito só terminará quando Israel deixar as áreas ocupadas no sul do país.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou na quarta-feira 3 um acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano.

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Apesar disso, os confrontos continuaram. Bombardeios israelenses atingiram a cidade de Tiro, no sul libanês, e deixaram mortos e feridos. Israel afirmou que os alvos estavam ligados ao Hezbollah e ordenou a evacuação de áreas próximas.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou o acordo mediado por Washington. Segundo ele, a resistência continuará enquanto Israel mantiver tropas em território libanês.

Já o presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, afirmou que aceita a retirada do Hezbollah do sul do país se as forças israelenses também deixarem as áreas ocupadas.

Desde março, os confrontos já deixaram milhares de mortos no Líbano e deslocaram mais de 1 milhão de pessoas.

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